Da minha janela vejo uma história aos quadradinhos, nas traseiras dos prédios que ficam voltados para o meu:
Um casal de homossexuais que tem um frigorífico amarelo;
Uma mulher solitária que passa o tempo a espreitar pelas cortinas;
A casa do rés-do-chão, onde cães e gatos coabitam, indiferentes uns aos outros;
A roupa do rebento do casal jovem a crescer no estendal;
A palmeira que já chega à varanda do segundo andar;
A adolescente rebelde que fuma às escondidas;
As luzes (...)
Nutro um grande respeito e admiração pelos velhos. Velhos, sim, que a palavra “idoso” soa-me mal, lembra-me “defeituoso” e para mim, os velhos são tudo menos isso; os velhos são pessoas com imensa sabedoria, experientes e de inestimável valor. Todos os velhos mereciam que alguém lhes escrevesse um livro com as suas memórias para ficarem disponíveis para consulta pública e serem depois transformados em objectos de estudo de especialistas.
Vou falar-vos (...)
Quando se fala em emancipação feminina vêm-nos logo à ideia o quadro de mulheres bem sucedidas que já não precisam de submeter-se a uniões insatisfatórias apenas por não terem meios económicos para se sustentarem.Algumas coisas mudaram nesse sentido, mas há uma realidade social crescente que não é muito valorizada: o facto de existirem muitas famílias monoparentais predominantemente encabeçadas por mulheres.Somos independentes, conseguimos avançar alguns passos, mas (...)
Obviamente, somos todos civilizados e todos preferimos resolver os nossos problemas de forma pacífica. Acontece que quando se trata de um divórcio, a questão prende-se mais com a urgência de ver tudo resolvido do que com o civismo propriamente dito, pelo que é preciso usar da cautela, sobretudo quando há filhos em jogo.
Deixo aqui uma advertência especial às mulheres (já que são elas que, por norma, ficam com o poder paternal): cuidado com aquilo que assinam!
Os pontos (...)
Estava a tentar domar o teimoso remoinho do meu cabelo quando dei por mim a sorrir ao espelho ao lembrar-me do Paulinho Pacheco. O Paulinho Pacheco foi o meu primeiro (e talvez o único) verdadeiro amor. Faz parte das minhas mais remotas memórias. Tinha eu por aí uns cinco e ele uns quatro aninhos…
O Paulinho era tímido e chorava por tudo e por nada, mas comigo sentia-se em segurança. Eu ficava muito séria a olhar para ele sempre que o via fazer beicinho e ele logo interrompia (...)
Meu querido diário,
Até aqui tens sido testemunha do meu modo de estar na vida: feliz conforme sei, observadora, critica, participativa. Entusiasta o suficiente para que não apareças como uma página carregada de negras lamentações. Contigo, tenho partilhado aventuras, tenho divagado e feito sorrir muita gente, talvez até tenha posto alguém a pensar ou até tenha mesmo servido de exemplo sobre aquilo que se deve ou não ser. Há quem se inspire nas entrelinhas e há até quem se (...)
Encontrei uma amiga que já não via há muito tempo. Lanchamos juntas, falamos um pouco das nossas vidas e, às páginas tantas, ela vira-se para mim e diz-me que estou diferente, que estou mais fria e distante e aconselhou-me a olhar bem para dentro de mim, pois aquela Ana emotiva e sentimental que ela conhecera ainda deveria existir algures…
É curioso porque o tempo passa e não nos apercebemos do que ele vai fazendo por nós a nível psicológico. Para mim é tudo uma questão (...)
Parem tudo!!
Há uma mulher, divorciada (coincidências...) que publicou um livro intitulado “O Segredo”. A autora chama-se Rhonda Byrne e o livro pode ver-se agora à venda no nosso país na Fnac e nos grandes hipermercados. É uma obra que já vendeu milhões de exemplares e arrastou milhares de fiéis seguidores. Até o nosso país de brandos costumes está a aderir a esta febre, quanto mais não seja pela curiosidade acerca dos testemunhos a que a comunicação social vem (...)
O meu “ex” odeia-me, apenas porque fui eu quem decidiu pôr um fim à relação. Já passaram quase seis anos e ele continua a não conseguir enfrentar-me, a não conseguir ultrapassar a raiva ou frustração ou lá que sentimento maligno é aquele. Quando se cruza comigo (o que é muito raro) não consegue olhar-me de frente e eu, por minha vez, não consigo conceber a sua atitude, até porque ele já refez a sua vida (voltou a casar) e eu só quero que ele seja feliz, mas (...)
Chegou o Outono.
Há gente que chega e gente que parte…
Há gente que morre e gente que nasce…
Há quem ria e há quem chore…
Há quem vença e há quem fracasse…
Há quem parta em lua de mel e há quem sofra o sonho perdido…
Há quem lute pela vida e há quem se deixe morrer…
Há quem fale e há quem cale…
Há quem perca e há quem ache…
Há quem ore e há quem aja…
E há quem viva na expectativa sem saber que rumo (...)