A Viagem

O sonho era monótono:
O comboio partia, partia e partia…
E tu ficavas.
Ficavas á espera não sei de quem
Mas lembro-me
Que do meu peito jorrava o sangue
(tinhas-me ferido!)
E o comboio partia, partia e partia…
E eu seguia,
Não sei para onde era a viagem
Mas, finalmente, parei
E desci numa terra onde os muros eram brancos
(altos e brancos!)
E o comboio parou, e depois partiu
E o meu olhar perdeu-se no teu,
E o teu sorriso brotou,
E estendeste-me a mão,
E o meu sangue secou…
E o comboio que partiu,
Seguiu…
Sem nós.
Ana Leandro in "A Estrada do Nada".
Manuscrito (17/01/1991).