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Diário de uma divorciada

Diário de uma divorciada

Casar ou não casar

Conheci a Vera num dos meus jantares de mulheres, éramos cinco ao todo, mas depressa nos tornamos três pares. Na nossa mesa tiravam-se fotos e davam-se gargalhadas. Reparamos na Vera quando ela nos olhou de soslaio de uma mesa vizinha. Estava sozinha e tinha olhos de choro.  Convidámo-la para nos fazer companhia e ela aceitou. Passado pouco tempo, já com uma cara mais alegre e ao cabo de dois ou três copos de sangria, lá se abriu connosco: que estava pela terceira vez a voltar para o marido e que, pela terceira vez estava a sentir que não valia a pena; que tinha tudo para se sentir feliz: uma carreira de sucesso, bens materiais e um homem que a mimava e a tratava como uma princesa, mas que não se sentia realizada.
Reuniu-se o consílio e depressa a grande questão voltou à baila: casar ou não casar? E porquê?
Fomos a votos e acabamos por ficar surpreendidas por não estarmos a referir praticamente qualquer ponto a favor do laço matrimonial. Mais, chegamos à brilhante conclusão que o casamento, em si, não é mais que um contrato de exclusividade. Uma mulher casada torna-se, prioritariamente, uma mulher comprometida. Comprometida com a sua vida familiar e comprometida com um homem. É isso que a sociedade ainda espera de nós. Emancipação e casamento não rimam muito bem.
Casar para ter estabilidade emocional também já não está com nada. O conflito de personalidades desgasta mais do que uma companhia sempre presente apazigua.
Outro grande facto é que a maior parte dos homens não se sente bem ao lado de uma mulher bem sucedida. Nada a fazer. Foram séculos de soberania masculina que não se apagam apenas com uma década e meia.
Depois, o celibato dá-nos uma liberdade de acção impensável para uma mulher casada: o sair só com as amigas, ir acampar só com uma ou ficar a conversar no carro madrugada dentro são pequenos prazeres para os quais um casamento raramente deixa espaço.
Além disso, o conceito de casamento carece tanto de actualização como o sermão do Padre na cerimónia católica: “até que a morte os separe” quando estaria mais correcto dizer “até que um motivo de força maior os separe”.
Num registo estatístico de 2001 (claro que já desactualizado) contabilizava-se, em Portugal, um divórcio por cada três casamentos. Estou convencida que este resultado se inverteria se contassem com as pessoas como a Vera que estão casadas por teimosia, para parecer bem ou apenas porque sim. Porque sim é, aliás, a resposta que dou sempre que não me apetece dar explicações inúteis a algumas mentes mais complicadas que adoram fazer-me "A Pergunta":
 - Então e porque é que continua sozinha?
- Porque sim!
https://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/M3513d944/14817700_s3CMz.jpeg

3 comentários

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    AL 04.01.2008

    Caro L,

    Eu não me atreveria a usar a minha dialéctica neste assunto, é que nem é para aqui chamada, afinal, este é o diário de uma divorciada... feliz (porque sim).

    Permita-me apenas uma pergunta: essa sua opinião advém da experiência própria de um casamento feliz? Se sim, sinta-se à vontade para enumerar os prós do casamento. A comunidade agradece.
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    gandalf 05.01.2008

    olá
    há algum tempo que passo por aqui. hoje resolvi comentar...
    podia responder apenas "porque sim" aos prós de um casamento, mas também tenho uma outra série de argumentos que o justificariam. a questão é que estes seriam eventualmente os "meus" argumentos e outra pessoa poderia não se rever neles.
    enfim, é uma questão complicada, para a qual não há uma fórmula mágica (e acreditem que já a procurei).
    acho que cada um tem que encontrar a melhor forma de se sentir bem com a sua vida. eu ainda ando à procura da minha e não tem sido nada fácil.
    :o)
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