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Diário de uma divorciada

Diário de uma divorciada

Monólogo de Sábado à noite

- Levanta-me o rabo desse sofá e vai divertir-te!
- Hmmm… Deixa-me cá pensar: A Sara está de namorado novo, a Rute foi passar o fim de semana fora, o Vasco diz que ia a um concerto… Estou sozinha no mundo! Johnny!!
(o Johnny está a dormir em cima do coelho de peluche)
- Até tu, seu traidor!? (até o gato já se apercebeu que o mundo é todo aos pares...)
- E cinema? Podias ver o que está em cartaz…
- A esta hora? Vou adormecer a meio do filme.
- E que tal pegares no carro e ires sem destino como fizeste naquele fim-de-semana em que estavas com a telha?
- Pois, mas eu não gosto de conduzir à noite e não me apetece andar por aí perdida à procura de um sítio para dormir, além de que só gosto de passear assim no Verão.
- Bem, então vai dormir e amanhã levantas-te cedo e sais durante o dia, aproveitas o sol!
- Dormir!? É sábado à noite! Então ia enfiar-me já na cama como as velhas!?
- O Carlos deve estar sozinho, porque não lhe telefonas?
- Não me apetece levar com lamechices. E ele vai logo começar a pensar que estou com outras intenções.
- E depois?
- E depois, que eu ainda não me esqueci o quão difícil foi livrar-me dele!
- Não te percebo. Reage!
- Vou comer qualquer coisinha enquanto penso…
- Isso, depois diz que estás gorda!
(prim priiiim primmm)
- Estou? Ah, João! Tudo bem? Sair? Festa da Dulce? Desculpa mas já tenho programa. Diverte-te! Ligo-te para a semana…
Quando não me apetece é escusado, é que ninguém me arranca do sofá!
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A arte de dissuadir

NO TRABALHO…

(malditas calças de cintura descaída)
-  hmmm… Oh Ana, cuequinhas vermelhas!? Hehehe…
- São do Snoopy.
…..
APÓS UM JANTAR…
(por vezes bem que precisava de lentes e com graduação máxima)
- Porque não vens passar a noite a minha casa? É tarde…
- Não posso. Esqueci-me da caixa das lentes de contacto e já estou muito incomodada por estar a usá-las há tanto tempo. Desculpa, mas tenho que ir.
….
NO MESSENGER…
(ainda estou para saber como é que adiciono estes cromos)
- Sou Engenheiro “técnico”.
- Engenheiro? E logo técnico!? Uau…
- Qual é a tua “profição”?
- Mulher-a-dias.
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"Relax"

A vida torna-se perfeita quando deixamos de esperar o homem ideal e nos concentramos naquilo que temos mesmo debaixo dos nossos olhos.
Este fim-de-semana fui até ao Alentejo com uma amiga. Acabamos por encontrar lá uma outra que não víamos havia algum tempo. Não se passou nada, apenas descobrimos um bar onde o wisky com cola custa apenas 2 Euros (verdade!). Quer dizer, eu descobri, já que as outras duas passaram a noite a carpir as mágoas dos seus amores impossíveis e eu tinha que me entreter com alguma coisa…
Deveria ter desconfiado, a garrafa de wisky não tinha rótulo e eu passei o resto do fim-de- semana cheia de azia (ou então era a cola que estava estragada. Naquelas bandas, a cola deve ser coisa que não tem muita saída. Pois, deve ter sido a cola. Decididamente, foi a cola).
No regresso, aproveitei que não vinha a conduzir e refastelei-me a contemplar os campos vastos e coloridos de amarelo, branco, violeta e verde ao mesmo tempo que treinava o meu poder de observação…
A minha amiga condutora interrompe-me o deleite:
- Ana! Ana! Olha-me para este gajo aqui no “Porshe”! Tããão giro!!
- Já vai. Estou a ver se descubro a ovelha negra daquele rebanho.
- Viste? Viste!? O gajo olhou para nós! Uau!
- Claro, não é muito normal ver duas gajas num descapotável aqui no meio do nada… (mas onde é que se meteu o raio da ovelha!?)
-Vai lá, vai! Que grande obra de arte! Ou terá sido uma miragem? Afinal, isto é praticamente um deserto! Ah ah ah!
Fiquei frustrada. Com a conversa, acabei por não descobrir a ovelha negra e regressei à civilização com mais uma dúvida existencial para resolver. 
Já não me bastava a azia!
Hmmmm... (tosse, tosse)
De que cor seria o “Porshe”?
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Testemunhos XXII

E para fechar com chave de ouro, aqui vai o contributo de um habitual comentador aqui do blog, que é também já um amigo (obrigada, Márcio e felicidades para o teu casamento, com o selo de garantia aqui do Diário):
Como já disse em alguns comentários do blogue, eu estou prestes a ser um recém-casado e por isso a minha experiencia em divórcios é nula no que diz respeito à experiencia pessoal. Gostaria de contribuir se me fosse permitido com a minha experiencia profissional como tarólogo e não vou relatar nenhum caso especifico de alguém, porque também preciso de preservar os meus clientes mas vou sim relatar uma situação que é corrente e acontece tanto ao casal Soares de valência como ao casal Silva de Faro:

" O casal Maravilha, o João e a Maria, estão casados há cerca de 7 anos. Com uma criança de 5 anos e toda a gestão da vida familiar começa a ser complicado arranjar forma de manter romance na vida deles. O João trabalha numa firma de advogados e gosta de estar no seu melhor, sempre acessível com os clientes e colegas de profissão, sabe que é um bom profissional e tem orgulho na posição que tem. Por sua vez, a esposa, administrativa, esforça-se por ser uma boa profissional para conseguir finalmente ter algum reconhecimento na empresa e talvez obter um aumento generoso. As preocupações com a filha, principalmente de saúde, fazem com que mal saia do trabalho se dirija a casa da mãe para ver se a filha hoje se portou bem na escola e não teve nenhuma crise de asma. Ela espera que quando chegar a casa já o marido tenha o jantar adiantado e, com um pouco de sorte, a mesa posta.

Não teve sorte!! Chegou a casa e o marido estava também a chegar a tomar um duche, nada de jantar nem de mesa posta. Ele bem a aliciou para um banho a dois mas a Maria não podia pensar em romances, tinha uma criança para alimentar e tratar de algumas tarefas da casa. Por volta das 23h já estoirada deita-se e tenta descomprimir abraçando-se ao marido, ele aproveita a deixa e começa a tocar-lhe mas os avanços são negados devido ao cansaço natural de um dia exaustivo - "Amanha João, abraça-me apenas".

Esta rotina diária faz com que o joão em vez de procurar uma solução para aliviar a carga da esposa, comece a direccionar a sua atenção para uma colega que se mostra muito compreensiva com ele e percebe na perfeição os encargos e responsabilidades que ele tem. Ela chega mesmo a dizer que um homem assim merece uma atenção especial e ele gostou de ouvir isso. Com o passar do tempo, o João não procura tocar na Maria e ela sente essa frieza por parte do marido. "Será que tem outra? Serei que já não em deseja?" - Mesmo assim ela batalha diariamente para manter uma rotina violenta e rigorosa que faz com que ela se esforce para ser boa mãe, boa esposa e boa profissional.

Os dias vão passando e o marido começa a fazer serão, chegadas tardias e nem mesmo atenção lhe dá e à filha. Ela sente-se sozinha e desabafa com um amigo de longa data, por sinal a passar por um período também ele menos positivo na sua vida afectiva. As saídas e conversas com ele são mais frequentes e a preocupação com o marido começa a diluir-se.
O João por sua vez fartou-se da colega, apesar do sexo ter sido bom, ele sabe agora que é a Maria que quer e vai tentar mudar o rumo das coisas. Chega a casa e prepara um jantar, deita a filha e espera pela esposa. A Maria chega e fica sem saber o que fazer com tal gesto. Amam-se no quarto mas ela não sentiu nada, o pensamento dela estava com o amigo, com quem mantém um caso há cerca de um mês. E ao fazer amor com o marido pensa noutro homem, sente-se mal e torna-se fria com o João que, sem saber a razão, percebe a distancia da esposa e pela primeira vez desconfia que ela o trai.

Conhecedor de certas profissões, contrata, no dia seguinte, um detective que passado uma semana lhe revela a noticia chocante, a esposa tem um caso. Chegou o momento da verdade e de confrontar a Maria, não para a culpar ou maltratar mas para lhe dizer que a ama e quer ficar com ela. Maria escuta tudo e simplesmente não consegue aceitar a proposta, porque ela neste momento já não sente nada, o marido é um amigo e nada mais. Já não o deseja nem sente paixão, isso é pertença de outro. É tarde demais para ambos, deixaram a situação chegar a um ponto de ruptura tal que o melhor agora é seguirem os seus rumos separados".

Esta história, relatada por tantas pessoas, homens e mulheres, vem alertar para um erro crasso: a falta de comunicação no casal. O que poderia ser resolvido numa primeira instância, torna-se num ponto sem retorno mais para a frente. Nem todos precisam de viver felizes para sempre mas podem perfeitamente dialogar felizes para sempre.
Márcio Branco
http://tarotnet.blogs.sapo.pt
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Testemunhos: XXI

Olá. Tenho 42 anos, em fase inicial da separação e com 2 filhos.
Todos parecidos, todos iguais: os divórcios.
Éramos vizinhos desde os meus 12, começamos a namorar aos 22 e casámos aos 24. Toda a gente foi contra porque eu estava a acabar o curso de Arquitectura e ele era pedreiro. Como sempre, a ilusão: foi o meu único namorado, eu achava que ele era a única pessoa do mundo a gostar de mim e aceitava o facto de os médicos terem-me diagnosticado como impossibilitada de ter filhos. Enganaram-se, os médicos. Engravidei sem contar aos 30 anos.
O desgaste começou na noite em que lhe quis dar a notícia da gravidez: adivinhou e não apareceu. O segundo filho veio devido à pílula que estava a tomar não ser a adequada. Resultado: o afastamento foi progressivo. Eu considerava-me culpada e fui perdoando tudo e mais alguma coisa, além de que ainda "lhe passava a mão na cabeça". Uma das traições, há 3 anos deixou-me completamente desvairada e pus-lhe a mala à porta. Voltou no dia seguinte a conselho da amante e eu, como o meu filho mais velho (na altura com 9 anos) estava a reagir muito mal contra mim, tive medo e aceitei-o de volta, mas nunca mais consegui esquecer tudo o que me tinha dito e a sensação de alívio que senti naquelas 24 Horas.

Bem... somos sócios numa empresa, trabalhamos juntos e temos alguns bens que fomos adquirindo. O relacionamento, apesar de muito esforço de ambos, nunca mais foi o mesmo. A mim falta-me um companheiro - às vezes tenho a impressão que tenho é 3 filhos -  a ele falta-lhe a farra. Eu culpo-o a ele, e ele culpa os filhos. Tenho-lhe  dito várias vezes ao longo do último ano que deve reconhecer que o amor já era e que temos ainda hipótese de sermos felizes, seja lá como for, mas juntos vai ser difícil. Nunca aceitou e as ameaças de fogo aos bens e de morte para todos nós, fazia-me arrepiar.

Finalmente, em Janeiro, para festejar o aniversário do meu filho mais velho (12 anos), convidei os meus pais para almoçar e Sua Exª não saiu do quarto. Não foi o motivo...foi a gota de água. Resolvi pôr um ponto final. Mais um vez fiz de mãe dele, deixei-o a viver cá em casa até estar pronto um pequeno palacete que tínhamos começado  reconstruir. Falta uma semana!
Claro que as ameaças foram muitas e de toda a espécie, mas desta vez algo não corre como do costume... o cansaço é muito. Tenho-me mantido firme porque cheguei mesmo à conclusão que as diferenças com o tempo afastam as pessoas: eu quero uma vida mais simples, ele só se contenta com Mercedes, barcos e festas; nunca foi possível ir de férias porque lhe mete impressão ir para um sítio onde ninguém o conhece, etc... Vivemos numa cidade pequena e somos pessoas importantes.

Conclui que as pessoas não mudam assim tanto… ele sempre foi o que é, eu é que não quis ver, talvez por uma auto-estima fraca. Sempre saiu à noite em solteiro, ficou feliz por não poder ter filhos e sempre disse que não queria uma mulher bonita, mas inteligente para o ajudar a chegar onde queria. Eu é que achava muita piada a isso. Agora vai ficar com os bens todos, quando não sabe como funciona o cartão multibanco, uma placa vitrocerâmica, uma máquina de lavar e muitas outras coisas tão simples. Só me entristece uma coisa: não quer os filhos nem um fim-de-semana por mês: ou ainda está para nascer o filho que o vai ensinar a ser pai, ou morre sozinho - como aliás os pais dele apesar de serem 4 filhos.

Sei que me espera: solidão - já a tenho há quase 13 anos; responsabilidade: sempre geri a casa e a empresa em termos financeiros; sobrecarga: até hoje tive 3 filhos comigo - o mais problemático vai sair, mas tenho a certeza de que ainda vamos todos a tempo de sermos  felizes ... cada um ao seu jeito.

Obrigada pela iniciativa. Tem sido importante ouvir os outros porque conheço pouco divorciados. Bjs
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Testemunhos: XX

Descobri o seu cantinho por acaso e, apesar de não ser casada nem tão pouco divorciada, encontro-me à beira de um divórcio prematuro. Sou solteira mas já com idade para estar casada e com família constituída, segundo os padrões da sociedade e comunidade (pequena) onde estou inserida.
 
Não sou inexperiente em matéria de relacionamentos, apesar de ter tido apenas um,antes deste, em que visse futuro. A verdade é que não soube enfrentar a fase menos boa que estávamos a atravessar e troquei literalmente de pessoa.
 
Quando entrei neste meu relacionamento actual, entrei com tudo, a pensar que era o homem da minha vida, aquele que tanto procurava, que seria uma relação como a que realmente ansiava, e que as minhas amigas me diziam que não existia. Estavam certas.
 
A pessoa em causa é mais velha do que eu e pôs em mim todas as esperanças para a sua vida. Por ser mais velho do que eu e tem medo de ser enganado ou trocado. É verdade que não sou nenhuma santa e que fiz muitas burrices na minha vida e o passado assombra-me sempre, já que o que fui não se enquadra na visão que a pessoa tem da vida. O que é certo é que, para esconder o que fiz, por saber que não iria ser bem aceite, menti, escondi parte de mim, do que fiz. Mais tarde contei-lhe, mas as desconfianças não pararam, e eu voltei a mentir, e mais e mais... não sei bem porquê, agora não acredita no que digo. Sei que não é uma atitude de pessoa adulta, mas foi o que fiz. Ele diz a cada dia que se vai embora e que não quer nada comigo, para além de me controlar em todos os aspectos...

Sónia
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Testemunhos: XIX

Olá, já passei várias vezes aqui no seu blog e desta vez resolvi escrever…
 
Tenho 32 anos e três filhos.
Namorei o meu marido dos 16 aos 24 anos, com alguns intervalos, claro!
Em 1999 casamos, o nosso 1º filho nasceu em 2001 outro em 2003 e outra em 2007.
 
Divórcio... não está nos meus planos e é palavra que nunca se falou cá em casa!
Mas eu também acho que as pessoas só devem estar juntas enquanto são felizes e enquanto têm capacidade para fazer o parceiro/a feliz.
 
Sou filha de avós maternos divorciados, e de pais divorciados e acho que o dizer não a um divórcio com medo que os filhos sofram, não está nada correcto, pois os meus pais divorciaram-se tinha eu 13 anos e para mim foi um alívio! Aliás, deveriam ter-se separado logo aos meus 5/6 anos, quando se começaram a desentender!
Que casal consegue transmitir tranquilidade aos filhos, se mal se falam, se discutem, se não fazem ambiente familiar!???
 
Como se sentem hoje?
Eu sinto-me cansada... mas feliz!!! Sou mãe, esposa, dona de casa e ainda trabalho das 9h as 17H!E o principal é que ainda tenho tempo para namorar com o meu marido, brincar com os filhos e não fazer da minha vida uma monotonia!
 
Como encaram o futuro?
O Futuro é amanhã... aproveitar todos os dias o melhor que a vida nos deu; nesta situação, aproveitar e curtir ao máximo o casamento, pois o futuro também me pode trazer um Divórcio.
R.
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Testemunhos: XVIII

Sou a Paula, tenho 25 anos e não sou divorciada, mas já vivi maritalmente.
Tinha eu vinte anos decidi juntar-me com o namorado na altura que tinha mais 7 anos que eu. Um amor-perfeito, um companheirismo e uma cumplicidade inexplicáveis e ele sempre uma pessoa impecável.
Comprámos casa e eu achei sempre que era aquele o homem da minha vida. Não via, contudo, um pormenor muito importante: a forma como ele tratava a mãe. Sei que a educação dele, ou melhor a má educação dele contribuiu para ser a pessoa que ele sempre foi. A mãe dele, uma excelente pessoa, vivia para ele e para a casa sempre com tudo impecável e até lhe levava a comidinha à cama.
O nosso “casamento” começou a correr mal quando ele ficou desempregado. Percebi que ele era demasiado mal habituado e que ajudar em casa era mentira, e eu depois de 8 horas num emprego e mais 5 de part-time, chegava a casa e ainda via a mesa do almoço por arrumar, a loiça por lavar e o menino a jogar playstation. Ainda tinha que ouvir que trabalhava demais e que era uma desarrumada! Claro que alguém tinha que trabalhar para pagar contas em casa!
Começaram as discussões, as ofensas, as noites em que uns ao lado do outro estávamos em silêncio. A gota de água? Uma criança que era para nascer e não nasceu, o médico assim aconselhou. No entanto, não tive qualquer apoio da outra parte, não que tenha ficado traumatizada mas também não o fiz sozinha. Foi nessa altura que pensei: “ Afinal para quê continuar com isto se eu já passei isto de outra forma?” (tive uma infância complicada, sem o apoio dos meus pais, sempre trabalhei e tirei o meu curso sozinha). Tentei, de todas as formas, resgatar os velhos tempos mas era impossível, se eu tinha tantos defeitos e nenhuma qualidade para quê continuar a sofrer?
Decidi sair de casa e, mais uma vez, recomeçar do zero.
Hoje passados quase dois anos, olho para trás e vejo que a minha essência estava a perder-se, a miúda que toda a gente admirava (porque apesar de tudo sempre fui muito bem disposta e optimista) tinha desaparecido.
Não me apetecia nada nem ver ninguém! Decidi enfiar, literalmente, a cabeça no trabalho (ainda hoje mantenho dois empregos) e optei pela paz de espírito.
Sinto que o pior destes últimos dois anos foi a solidão. Costumo dizer que a solidão é uma óptima conselheira mas tem dias que é uma péssima companhia. Fiquei descrente do amor, confesso. No entanto, um amigo de longa data invadiu o meu cantinho e tem- me mostrado que nem todas as pessoas são iguais e que com quase 26 anos ainda tenho muita vida pela frente, sempre com esta força e esta garra que vou buscar nem sei bem onde, que me faz levantar a cada dia, acreditando que o futuro pode ser bem risonho basta acreditar e não deixar nunca que nos tirem o melhor que há em nós! 
Hoje em dia riu-me porque o meu ex. descobriu que esta apaixonado por mim e tenta reconquistar-me, ao que eu lhe pergunto: Eu era tão má e agora já sou boa? Ele diz que cresci e que me tornei uma mulher. Claro, quem aguenta cuidar de um bebé grande e mimado! Acredita nisto? A vida realmente dá grandes voltas!
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Testemunhos: XVII

Antes de mais gostaria de deixar dois pensamentos que penso reflectirem um pouco o que tem vindo “à tona” neste desafio que a autora do blog promoveu e, diga-se de boa verdade, alcançando plenamente os objectivos a que se propôs. 
1-       É com alguma tristeza, mas com maior esperança ainda, que ao verificar o rol de almas que “tropeçaram” no destino (para quem acredita nele!), sentindo na pele e, não menos vezes na carne, as feridas provocadas pela implosão dos seus sonhos mais inocentes, não fossem eles alimentados pelo combustível da paixão e impelidos pelo incontrolável arrebatamento do amor por outrem, ter a certeza que existe sempre “vida para além do divórcio” e que todos têm o dever de, pelo menos, tentar ser felizes.
 2-       Constatar a amargura, legítima a todos os níveis, que a maior parte dos divorciados, evidenciam em relação ao compromisso interrompido e aos respectivos ex-companheiros. Nos casos mais extremos, mais recentes, ou talvez mais dolorosos, este sentimento confunde-se com ódio, repulsa ou (aparente) desdém.
 Esta é a minha versão:
No meu caso (e são todos diferentes), o casamento de 12 anos acabou em circunstâncias, pode-se dizer, dramáticas.
A relação já há algum tempo que não corria bem – vendo bem, se calhar nunca correu, pelo menos como é comum nos casamentos ditos “normais” -, mais uma vez reforçando a ideia de que quando se casa por paixão, não vemos um boi à frente dos olhos (quanto mais, família, os amigos, os amigos dela, os pais dela… o termo sogros causa-me arrepios).
Ainda assim, lá está, pensando no melhor para os miúdos (na altura dois), protelei a decisão, a mudança - seja lá o nome que se queira dar – partindo do pressuposto que seria sempre preferível continuar a viver com os filhos, mesmo verificando que o ambiente familiar se degradava a passos largos, do que partir para o inevitável: a separação.
Mal eu sabia que ela iria surgir pela brutalidade de um acidente que levou o meu filho mais velho a ficar entre a vida e a morte.
Nessa altura, enquanto (des)esperava por um sinal positivo do coma em que o meu filhote se encontrava, senti que a minha vida nunca mais seria a mesma, independentemente do desfecho.
Foi nessa altura que o senti e naturalmente decidi; a vida é curta demais para investirmos no sofrimento de uma relação que temos a certeza ter terminado (todos nós sabemos quando ela chega, mesmo que a tentemos encobrir), por muito que se tentem arranjar argumentos a favor da sua continuidade.
Mais vale o salto no escuro, passando por todas as fases (algumas delas terríveis) que o pós-divórcio nos obriga, mas sentindo que somos simplesmente nós, novamente, e que temos aqueles doces “projectos de pessoas” que precisam tanto dos pais “em forma”, como os pais deles.
Felicidades
“João”
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