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Diário de uma divorciada

Diário de uma divorciada

A quem quer saber, nada se lhe diz!!

Um dia destes, num jantar de família, conversa entre mim e uma das minhas tias:
A minha tia: Então, continuas sozinha?
Eu: pois é!!
A minha tia: Fazes bem! Os homens são uns chatos!!
A minha tia (segunda investida): Como é que é possível uma rapariga tão interessante continuar sozinha!?
Eu (para despachar a conversa): Estou muito bem assim!
A minha tia: Claro, claro...
A minha tia (ataca de novo): E namorados? - E de novo: Já tiveste alguém desde o divórcio?
 
A conversa já começa a enervar-me à séria. A questão é que, se não for cuidadosa, vou acabar por arranjar uma daquelas zangas de família daqui até ao próximo Natal. Pelo que, plenamente ciente de que tudo tem o seu momento, aguardo serenamente pela hora do café para ver se esta “pirua-gordalhufa” se engasga e deixa de se armar em metediça!!
 
Eu: Os homens são tão diferentes uns dos outros em termos de desempenho sexual!
A minha tia (vermelha que nem um tomate): É verdade...
Eu (oportunista, pois!! Haverá poder maior que aquele que nos provoca o constrangimento alheio!?): A tia nem imagina o que tem andado a perder!! O tio tem mesmo ar de quem não parte um prato!?...
A minha tia (saltando da cadeira com a voz esganiçada do nervosismo): Ó Leonor, deixa estar que eu ajudo-te a levantar a mesa!!
Adoro confraternizar!!!
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Diz-me como cumprimentas...

Gosto de mercearias, talhos e praças e de todas as lojas de rua, porque, por norma, as pessoas que nos atendem são muito educadas e traçam-nos logo o perfil:
-          Bom dia!!
-          Bom dia, MENINA!!
Sabe tão bem ouvir cumprir a tradição!!
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Amigas e Onças

Estas minhas amigas são mesmo engraçadas. Acham que uma pessoa solteira não deve ter muito com que ocupar o tempo e que, por conseguinte, o mais natural é estar sempre disponível para lhes fazer companhia na sua independência em part-time.
Eu explico: tenho uma ou outra amiga, com aspas (felizmente que não são todas) que mal os respectivos maridos/namorados arranjam algo diferente para fazer que não seja aturá-las, eis que a palavra “liberdade” assume a forma e a imagem de Ana.
 
Olhem, minhas queridíssimas, no tempo da outra senhora, bordavam-se tapetes de Arraiolos, cosiam-se meias, faziam-se uns doces fantásticos para engordar a prole, sei lá! Para se sentirem mais “in”, podem até promover uns “Workshops” (que agora são a grande berra) acerca de um destes temas. Qualquer coisa (qualquer uma. Ok!?) será mais útil do que tentarem contactarem-me nestas alturas. Até porque, ultimamente, o meu telemóvel está sempre no modo “silêncio”... - Em coro: Oooooh, que pena!!!
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Filhos

Há coisas que passam tão rapidamente na nossa vida que nem temos tempo de gerir as emoções. Sorrisos que chegam, ilusões que partem, um par de braços abertos que nos recebem como se não houvesse amanhã e depois o vazio, o escuro, de novo e ainda a solidão.

Foi a meio de um mergulho a um destes meus silêncios secretos que ouvi no outro dia uma vozinha a dizer-me: “ainda bem que a mãe já não está doente, prefiro que me doa a mim do que á mãe.” Ergui a cabeça devagar e deparei-me com um rostozinho corado e sorridente com um olhar tão imenso de ternura que me pareceu uma tela onde vi pintado mundo de todas as cores.

A vida por vezes trama-nos, troca-nos as voltas, confunde-nos e faz-nos quase desistir. Mas a vida também é feita destes pequenos momentos perfeitos. São eles que nos dão forças para continuar sempre em frente. É graças a eles que nos damos conta do único amor incondicional e verdadeiro que jamais nos trairá; sabemos que vale a pena enfrentar mais um dia com a certeza de que o amanhã vai ser melhor, porque temos o coração cheio. Ser mãe é uma fonte inesgotável de energias positivas. Haverá melhor recompensa do que esta?
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Fases pós-divórcio

O divórcio é uma alternativa de vida; uma hipótese de mudança, de recomeço equivalente ao apagar e fazer de novo. Umas vezes, é uma necessidade de libertação, outras, uma espécie de rendição.

Um divórcio é sempre um passo. Um passo pequeno, tímido ou decidido, mas é apenas um passo. Caminhar é outra coisa.

Após um divórcio, passamos por várias fases que é importante identificar. Se queremos que a lição nos tenha servido de alguma coisa, é importante assumirmos cada uma delas e, principalmente,  tomar os cuidados necessários para não ficar preso em nenhuma:

1) Dúvida

2) Tristeza

3) Confusão

4) Alívio

5) Ilusão

6) Procura

7) Audácia

8) Desilusão

9) Solidão

10) Dúvida

A seguir, começa-se a viver.

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Bem-vinda ao clube!

Quando uma pessoa decide divorciar-se, após a decisão tomada, tudo o que quer é despachar depressa os papéis antes que mude de ideias. Foi assim também com a Marta, para quem o casamento foi um verdadeiro suplício, mas quem a ouvisse falar ontem, ao telemóvel, nas vésperas do divórcio oficial, não diria isso: “ sinto um nó na garganta, uma espécie de nostalgia, uma sensação de perda, mesmo apesar de saber que é isto mesmo que quero. Será normal?”
E eu a tentar ganhar tempo para pensar o que lhe responder, porque tenho uma memória selectiva e já não me lembro do que senti no momento decisivo, gracejei apenas: “Estas gajas casadas são mesmo complicadas!”.
 
Há pouco, o télélé dá sinal de mensagem. Numero de origem. O 91 da Marta: “Festa de despedida de casada, sábado à noite, no bar da praia!”
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Saber deixar partir

Saber deixar partir. Há quem defenda que o amor é isso mesmo.
Respeitar a liberdade do outro é um acto de amor. Dou o exemplo dos pais que vêem crescer os filhos e que depois os vêem sair de casa para viverem as suas próprias vidas.
Saber deixar partir é ter a convicção intrínseca de que tudo é efémero, ou de que nada é eterno; a consciência plena de que todas as histórias tem um princípio e um fim, até mesmo as de amor. Pena é que a maior parte das pessoas não possua a maturidade emocional necessária para “saber deixar partir”. São essas pessoas com “mau perder” que exterminam muitas vezes o amor, apagando todas as recordações dos momentos bons e tornando a vida do outro num verdadeiro inferno.
Por outro lado, aquilo que me é dado a observar numa grande parte dos casais que mantêm um relacionamento de aparências é o seu sentimento de posse no lugar onde deveria existir o sentimento de cumplicidade.
Ninguém pertence a ninguém, cada pessoa é única e basta-se a si mesma, tentar moldar a personalidade do outro é limitar a sua própria oportunidade de amar na sua essência; ninguém pode sentir-se feliz ou fazer outrem feliz se não poder expressar livremente o seu eu.

Saber deixar partir requer tanta preparação como saber partir. Quase sempre quem não sabe deixar partir e quem não sabe partir é movido pelos mesmos motivos: o medo de ficar só, a incapacidade de sentir-se independente, o medo de não ser socialmente aceite...
Uma relação de amor é como uma intervenção cirúrgica onde os sinais vitais deverão prevalecer sobre todas as coisas. Deve lutar-se sempre pela sobrevivência de uma relação, mas quando se chega à conclusão de que já se tentou com todas as forças e não se conseguiu, há que ter a coragem de deixar partir ou mesmo de partir, caso contrário, corre-se o risco de culpar o outro pela nossa infelicidade.
Muitos de nós, assistem assim, impávidos e serenos à morte do amor, muitas vezes camuflada por um casamento. Ofuscados pelo brilho da taça içada bem alto, muitos esquecem-se que a mesma está, não raras vezes, erguida sobre um monte de cinzas.

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Impostos

Ele há homens que deveriam poder ser deduzidos no IRS. Afinal, há alguns que um só minuto da nossa atenção é o equivalente a um generoso donativo para uma causa social.
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Relações ecológicas

As mulheres são as potenciais clientes de um mercado cada vez mais cheio, saturado de homens modernos que preferem desatar a morrer no paraíso terreno das gajas disponíveis do que renderem-se à vitória da emancipação do sexo outrora fraco.
 
Estados civis à parte, a verdade é que neste nevoeiro de oferta e de procura, encontra-se de tudo, menos material a estrear.
 
Além disso, não podemos ficar indiferentes às ameaças ambientais, pelo que é sensato contribuir, reciclando. Acontece, porém, que a moda dos “Ecopontos” não há meio de abranger as ligações afectivas (não sei se por serem consideradas inesgotáveis, se desnecessárias) e andamos para aqui todas a reciclar à toa.
 
É que dava imenso jeito que se colocassem nas cidades mais uns quantos mamarrachos etiquetados para que algumas de nós soubessem o tipo de homens recicláveis. Assim, aquelas que pretendessem livrar-se dos tipos “mortinhos-por-mijar-fora-do-penico-mas-sem-saber-como” teriam à sua disposição um contentor de “MATERIAL CONTRAFEITO”; quanto àqueles que repetem mais do que uma vez a pretendentes diferentes a frase “não-tenho-tido-sorte-nenhuma-com-as-mulheres-mas-sinto-que-contigo-é-diferente” poderiam ser depositados em “MATERIAL MUITO USADO”, e por aí fora...
 
Quando nos livramos de um homem, é sempre com o intuito de arranjar um melhor. Ou não é!??
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