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Diário de uma divorciada

Diário de uma divorciada

29.Mar.17

Os homens não dizem adeus...

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"Refrão"

 

 

Foram outros olhos que me olharam 

Com boca a condizer.
Mentias doce, na ansia de amar
Sem o saberes já não eras tu.
Pensavas que sim, que tudo se transformava em ti, o poder do amor a pegar te na mão e tu a voar nas minhas, confiante que era mesmo assim que as coisas deviam de ser.
E quando eu te estranhava porque aos poucos eras mais tu, estranhavas por isso também, perplexa por ser eu.
Dos dias de riso com tristes intervalos foste invertendo essa coda.
E tonta foste pontuando, nos intervalos de tristes risos, uma epifania de ti.
Procuravas aquela certeza que se esvairia por fim nas últimas manhãs ao meu lado.
O meu corpo já vivido, fotografia amarelecida na tua memória, mentira inadequada, obra da tua presunção.

Outra vez.

Foram outros olhos que te olharam
No fim com lágrimas a condizer.
Mentia com medo de amar.
Sem o saber, nunca fôra a ti.
Pensei que sim, que tudo era provável e que transformada te entregavas nas minhas mãos, que tudo podia ser assim, que o amor certamente.
E quando eu te estranhava porque aos poucos eras mais tu, estranhavas por isso também, perplexa por ser eu.
Dos dias de riso com tristes intervalos fui invertendo essa coda.
E tonto fui acreditando nos intervalos de tristes risos, uma epifania de nós.
Encontrava uma certeza que se esvairia nas manhãs seguintes sem ti ao meu lado.
O teu corpo por viver, fotografia arrancada pela dor, mentira adequada, obra da minha presunção.

Outra vez.

 

         (Autor Anónimo)