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Diário de uma divorciada

Diário de uma divorciada

28.Mar.17

Mas depois há os filhos...

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Quando alguém decide divorciar-se (ou mesmo quem não decide e se vê forçado a aceitar) nunca sabe extamente o que vem a seguir. Tenta seguir-se em frente porque "em frente é que é o caminho", mas nesse deserto, mais ou menos povoado, não há placas a indicar a distância que falta até se chegar à meta. Quando existe uma meta, porque também é verdade que há quem se meta à estrada sem se importar em chegar a lugar nenhum pois tudo o que quer é fugir, libertar-se, livrar-se de uma influência negativa que lhe destruiu a auto-estima e pouco lhe deixou da vontade.

 

 

Cruzamo-nos, durante a nossa vida, com tantos destinos, tanta gente a tentar colher sonhos antes destes estarem suficientemente amadurecidos que ficamos a pensar se será legítimo, se merecerá a pena tentar uma realidade diferente, mergulhar no desconhecido, voltar atrás ou, enfim, aprender a viver com o que se tem. Quem passa por uma situação de separação ou divórcio passa sempre pela angústia da perda. Quer esteja a partir ou a ficar, a sensação de derrota está sempre presente, como se a vida fosse exatamente um jogo. E sim, a vida é um jogo e não há mal nenhum em afirmá-lo, mas é um jogo perigoso, sobretudo quando existem filhos.

 

Suponhamos que somos crianças e estamos no meio de uma guerra, completamente desprotegidos, e que vemos o mundo a sucumbir a essa guerra. Os tiros são os gritos de acusação, as ameaças e as hostilidades entre um e outro lado, que, para nós, não se destinguem. A arma somos nós. Não é a guerra dos maus, mas parece. Nesta realidade, ao contrário da realidade dos filmes, não há bons nem maus por quem torcer. Imaginemo-nos assim quando os beligerantes (pai, mãe e por vezes avós, tios e afins) decidem na nossa frente sobre o nosso futuro, seja lá o que isso for, porque supondo que somos crianças, que nos importa o mundo mais do que o nosso mundo seguro nas mãos firmes de quem acreditamos que mais nos ama!? Suponhamos o medo. Suponhamos a solidão.

 

As crianças não têm que sofrer pelos erros dos pais. Um divórcio não é o fim do mundo, nem tem que ser um bicho de sete cabeças. Vale a pena seguir em frente ou para os lados ou para trás ou, enfim, para um lugar estratégico que nos deixe mais confortáveis... Hipotequem-se as alianças, o vestido de noiva, a vida toda inteira e a outra a seguir. Todos temos o direito de ser felizes. Agora, hipotecar a infância e, consequentemente, o futuro dos nossos filhos, isso não. Isso não temos o direito! 

 

Há que ser moral e responsavelmente superior a todas as quiexas que se tenha contra o outro. Um adulto pode decidir ficar sem mulher/marido/companheira/companheiro mas não pode decidir tirar o pai ou a mãe ao filho, já que este continua a precisar dos dois.

 

Talvez deixar amadurecer mais os sonhos... talvez aguardar que a nossa própria consciência e a real preocupação com os seres a quem demos vida se torne, verdadeiramente presente.

 

Em frente, sim, mas com o tesouro salvaguardado.

 

Aconselhem-se antes de dar passos em falsos; se não estão preparados/as, por favor,peçam ajuda. Pelas crianças evitem-se os tribunais. Como todos os tempos, também o tempo de ser criança se esgota. Muitas vezes já elas cresceram tudo, condicionadas no seu desenvolvimento pela vivência que tiveram, e ainda os Pais continuam a guerrear, já gastos e desgastados por um problema que, na maior parte das vezes, nem mesmo os próprios sabem já qual é.

 

 

Para quem está agora na situação de separação ou divórcio, suponhamos que tal acontece convosco. Não foi para isto que se divorciaram, pois não!?

 

P.S. A Mediação Familiar pode ser uma boa solução para os casos em que o passo já está decidido mas as emoções não deixam que se chegue a um entendimento. 

 

 

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