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Diário de uma divorciada

Diário de uma divorciada

03.Abr.17

E agora a felicidade!?

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Felicidade. Um tema que, para muitos, soará a filosofia de almanaque sem, mesmo, compreenderem bem porque foi o assunto para aqui chamado.

Pois. É que, mesmo sem nos darmos conta, andamos constantemente a correr atrás da Felicidade qual asno a tentar alcançar a cenoura atada na ponta da vara. E procuramo-la, sobretudo, nas nossas relações com os outros (o que não é descabido, pois a interação social é necessária para cultivar a plenitude) mas a magia não é essa. A magia é, sem saber que andávamos à procura do que quer que fosse, descobrir, de repente, dentro de nós, que havia algo para encontrar.

Já vos aconteceu?

Nós passamos a vida a batalhar por ter um futuro brilhante: casa, carro, um bom emprego e dinheirinho extra para os pequenos luxos como uma viagem, roupas ou tratamentos de beleza. Mas será a felicidade assim tão material? Dizem algumas pessoas com bom dinheiro e conforto que “não necessariamente”. Que a felicidade não se compra. Compram-se objetos, artigos, produtos, mas a verdadeira paz de espírito, essa não se troca por euros, nem dólares, e já agora, nem por qualquer outra moeda.

A felicidade são momentos vividos e sentidos, fracções de segundo em que a nossa existência assume um estádio superior e nos esquecemos dos problemas e dos traumas. A questão é que esses pequenos momentos só podem ser desfrutados quando nos encontramos minimamente recetivos, desligados, desapegados. O que nem sempre é fácil.

Sentir a felicidade é aquilo a que se chama “viver o momento”. Trata-se, no fundo, de aproveitar cada segundo como se fosse o último, limpar a mente e observar, sentir, absorver, tal como fazem as crianças. Nós, os adultos, parece que nos esquecemos da eterna novidade do mundo, de tão ocupados que andamos à procura da felicidade ou de tão absortos que ficamos na nossa frustração de não a alcançar. Porque o outro é sempre mais interessante que nós, mais rico que nós, mais magro que nós, acabamos por sofrer de crises existenciais em plena adultez. Deixamos passar as horas, os dias, os anos, as décadas, enfim, todo o tempo, sem nos darmos conta que andamos a sondar o destino, a testar a nossa racionalidade à espera que ela nos devolva a sensação de alegria absoluta que a criança que fomos um dia sentiu. Porque achamos sempre que a responsabilidade é incompatível com a inocência. Talvez um pouco, mas importante seria perceber que não procuramos mais que o estado de bem-estar-suficiente-para-aceitar-sem-questionar, o mesmo que sentíamos quando éramos pequenos reis, ingénuos e ávidos de conhecimento.

Ser feliz agora é o mesmo que ser feliz depois ou antes, apenas com um pouco mais de consciência sobre esse reconhecimento.

Felicidade é aceitar que perdemos a capacidade da inocência e, ainda assim, manter intacta a nossa capacidade de nos deslumbrar.