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Diário de uma divorciada

Diário de uma divorciada

15.Mai.07

Ainda o Divórcio

A forma como o divórcio é vivido tanto para os nossos pais como para os nossos filhos é ditada pela própria sociedade, quer pela importância (ou não) que o divórcio tem num determinado momento da nossa história, como também e principalmente, pelas atitudes tanto dos envolvidos no processo, em particular, como as dos outros, em geral.
Há trinta, quarenta anos atrás, a mulher ainda era o "elo-mais-fraco": havia poucas mulheres empregadas ou com um salário de miséria e os divórcios quando existiam, eram maioritariamente, decididos pelos homens. Neste contexto, quem mais sofria eram mesmo as mulheres por questões financeiras e por se verem obrigadas a criar os filhos sozinhas.
Hoje em dia, reparamos que, a custódia das crianças continua a ser atribuída, na maior parte dos casos, à mãe. Porém, e simultâneamente, também assistimos a uma maior vontade, da parte do progenitor masculino, a ficar com as mesmas ( e aqui também temos muito "pano para mangas". Seria bom que alguém desenvolvesse). Julgo, portanto que, hoje em dia, a perspectiva dos nossos pais, será, sobretudo, uma, perspectiva mais tolerante, mais compreensiva.
Relativamente ao ponto de vista dos nossos filhos, e pelo menos socialmente, também esse mudou. As crianças de hoje já não se sentem diferentes por serem filhos do divórcio, pois na sua convivência, lidam com muitas outras na mesma situação. Já quanto à sua realização familiar, a atitude dos próprios pais é bastante importante para uma boa gestão da situação por parte dos seus descendentes. Se é verdade que houve muitas coisas que mudaram, nomeadamente a nível de costumes e, no que se refere ao papel que cada um dos membros do casal desempenha na educação dos filhos, o mesmo não se poderá dizer quanto à atitude, ainda muito representativa da mentalidade retrógada de certos pais que, muitas vezes, promovem entre si verdadeiras guerras psicológicas, usando os próprios filhos como arma de arremesso, o que é, de facto, lamentável!!
Uma vez mais, cabe-nos a nós, enquanto seres adultos e conscientes das nossas decisões, a responsabilidade de tornar menos dramático o divórcio, pois não queremos, certamente, que os nossos filhos sejam vistos como vítimas dos nossos fracassos e/ou fraquezas. Além de que, é muito importante que nos convençamos que o desenvolvimento harmonioso de uma criança passa por um saudável relacionamento tanto com a mãe como com o pai, independentemente destes viverem juntos ou separados. Ontem, hoje e sempre.

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