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Diário de uma divorciada

Mensagem na Garrafa

Completou-se o dia, o ciclo, a espera.
Casa arrumada. Vida arrumada. Não me faltava nada… até tu apareceres.
Surpreendi-me a escrever-te a verde, o que fez com que eu percebesse, finalmente, que as mulheres, às vezes, são mesmo muito complicadas. É como pousares uma caneta com o bico virado para baixo: quando lhe pegas, corres o risco de ficar com os dedos todos esborratados de tinta, mas se ao invés, te decidires, logicamente, por arrumá-la com o bico para cima, ela recusa-se, pura e simplesmente, a escrever. Teoria idiota esta; idiota, sim. E verdadeira. Ah, como eu te entendo agora!
 
Dois virus no P.C. Bolas, o meu pc tem dois virus!
Adiante…
Ainda bem que chegaste. Da última vez tinhas partido sem dizer “água-vai”, de olhar ainda mais altivo que o meu ( o que, confesso, me causou um certo embaraço) e o coração mais frio que um “iceberg”. Tão gelidamente sólido que nem que o fechasse no meu novo e moderno forno eléctrico com o turbo na potência máxima, ele pingaria uma gota sequer. Quando muito era capaz de ficar esturricado nas pontas, mas derreter, está quieto! Deixa estar. Afinal, não percebes nada de fornos eléctricos. Deixa-me só que te diga que não és o único a saber que o sexo pode ser servido em “take-away”, sem precisar de preceitos de aventais brancos ou provas de vinho. O sexo tem abertura fácil; não servimos o sexo, é ele que nos serve. Aliás, serve-nos a prática, mesmo aos soluços.
Ah, se tudo fosse tão fácil como despertar a líbido, não necessitaríamos de procurar, constantemente, folhas soltas com as instruções para a resolução dos problemas do mundo; se tudo fosse tão fácil como servirmo-nos do sexo, não existiriam problemas de moral ou de consciência; não haveria, espera, procura, esperança, nada. Principalmente, não haveria lugar ao constrangimento de dar de caras com o passageiro que viaja sempre clandestino: O Amor. O Amor… O Amor é o maior tabú de todos. Tu sabe-lo, eu sei-o. Ambos sabemos. E mesmo o teu coração, ainda que mais robusto que o “Titanic” um dia ainda há-de afundar-se, só para me dar razão.
 
Já conheço de cor as tuas costas. Deixa estar! Enquanto contemplo as tuas costas vazias pode ser que me ocorra um rótulo qualquer para essa visão tão estranhamente familiar de ti; tão pesada como um velho móvel sem utilidade. Um “mamarracho” ou talvez apenas um piano, mas um piano sem teclas, apenas com três pés e uma tecla. E assim, quando viesses, de vez em quando, à superfície, sempre me lembrarias a música, não a que já não poderias tocar, mas a que nos tocara um dia: distinta, bela, perfeita.
 
Deixa-me, agora, que te agradeça por teres vindo, mesmo sem ter a certeza se ainda consegues ouvir-me no meio dessa corrente que te leva de novo, quero agradecer-te na mesma. E, sabes que mais? Volta sempre. Pode ser que, da próxima vez, seja eu que não volte… a falar-te de coisas práticas ou profundas; pode ser que te peça, simplesmente, para me limpares os virus do PC, ou que não volte, apenas.
 
Finou-se o dia. A noite abate-se sobre o teu e o meu cansaço, um cansaço citadino e necessário enquanto tudo permanece imperfeito, ou quiçá, não. Seja como for, vou dormir. Arrumo o resto nos sonhos e envio-te o resultado numa mensagem de garrafa que o tempo ou a próxima maré arranjará maneira de te a fazer chegar.
 
Onde estarás agora?

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