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Diário de uma divorciada

Diário de uma divorciada

22.Out.08

Divorciada Pobre ou Mal-Casada Rica?

 

Com a nova lei do divórcio o famigerado “golpe do baú” tem os dias contados, o que pode ser interpretado como boa ou má notícia para quem ainda considerava a hipótese de ter em conta a situação financeira dos seus eventuais pretendentes como critério para arranjar marido. Estava capaz de garantir, quase com 99% de certezas, que era esta a ideia em mente dos senhores que propuseram esta alteração específica à lei vigente, à par de uma outra bastante mais evidente que é a preservação do casamento a qualquer custo.
Na prática o facto de “a partilha passar a fazer-se como se os cônjuges tivessem estado casados sem comunhão de adquiridos, mesmo que o regime convencionado tivesse sido a comunhão geral” pode ser traduzido como “a parte economicamente menos favorecida, ainda que tenha contribuído de outras formas para o bem-estar da vida familiar, se quiser sair, terá que fazê-lo com uma mão na frente e a outra atrás”.
As mais obstinadas terão que arranjar formas de contornar a questão, à semelhança do que fazem uns tipos que andam para aí a fugir aos impostos e que não têm medo de ninguém.
O casamento por amor é politicamente correcto, mas não vamos ser hipócritas ao ponto de fecharmos os olhos às restantes motivações que levam as pessoas a contrair matrimónio, entre elas o medo da solidão, o ganhar algum status social como pertencente a uma família dita tradicional e, obviamente, a conquista de maior poder de consumo ou mera sobrevivência.
À luz das novas imposições colocadas ao divórcio, uma pessoa que case para alcançar um maior desafogo económico tem apenas uma hipótese: casar e manter-se casada, pois sendo que a maior parte da fatia social em condições economicamente mais desvantajosas ainda são as mulheres (e aqui dou razão ao nosso PR), não lhes resta grandes alternativas: ou têm a sorte de nascer bem na vida ou têm a sorte de arranjar um marido bem na vida, já que as hipóteses de um emprego bem remunerado são escassas para o sexo feminino.
Quem é que é tradicionalista, quem é?

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