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Diário de uma divorciada

Diário de uma divorciada

14.Out.08

Amor, paixão ou... o quê?

 

Devem ser muitos poucos os felizardos que conseguem viver eternamente apaixonados.
Eu não sei se conseguiria viver eternamente apaixonada, mesmo que conseguisse desenvolver essa “capacidade” seria demasiado vertiginoso!
A questão é polémica: afinal, o que será realmente o amor romântico ou a paixão? Muitos sabem-no. Eu sei-o, cada um de nós, à sua maneira sabe-o (ou pelo menos já o soube, em determinado momento). A questão não é: “alguém-que-me-explique” nem “deixa-me-que-te-diga”, a questão é perceber e aceitar que muitas coisas só se compreendem com o coração.
Por um lado há os artistas, que são todos uns alucinados e que por isso conseguem descrever tão bem esse estado doentio que é a paixão ou amor romântico, como lhe queiram chamar; entram numa espécie de transe a que se dá o nome de inspiração e descrevem-no em poemas ou versos, ou pinturas ou música. Descrevem-no mas não o explicam. Porque será? Simplesmente porque a emoção não é racional. Não dá. É tão incompatível como atear fogo à água.
Na outra ponta do balancé temos os psicólogos e os cientistas sociais que formulam inúmeras teorias acerca do assunto, mais ou menos fundamentadas em experiências vividas ou observadas mas nunca, até à data, se chegou a um consenso sobre esta matéria.
Posto isto, resta-nos apenas ter a noção que o Importante é cada um de nós chegar à sua verdade e essa Verdade particular é um pouco como a fé: só se compreende sentindo.
Eu tenho a minha verdade, que vale o que vale. Limitada na minha própria subjectividade, compreendo que só amo o que admiro e respeito. Quando me sinto confusa em relação a qualquer tipo de sentimento, mais ou menos lúcido, mais ou menos atormentador, a única forma que tenho de saber se o que sinto é amor é reconhecer no objecto da minha afeição estes dois indicadores: a admiração e o respeito. O resto pode ser muita coisa, até pode ser arte.

 

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