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Diário de uma divorciada

Diário de uma divorciada

04.Set.08

Família pequena, grandes algazarras

 

Lá em casa vive uma bola peluda com quatro patas e um par de olhos que anda a deixar-me com os nervos em franja. Ele é pêlos por todo o lado e eu já ando cansada de passar a vida a escovar e a limpar tudo. A minha filha, que é oficialmente a dona do bichano, convive com ele como se de um irmão mais novo se tratasse: brinca, ralha-lhe e… é tudo. Obviamente que a pior parte tem que sobrar para alguém que, por exclusão de partes, vê-se logo para quem!
Já pensei dar um banho de chuveiro ao animal, mas o veterinário não aconselha; depilá-lo, para além de me parecer bastante cruel, ia deixá-lo estranhamente desfigurado.
Eis, porém, que um destes dias, ouvi alguém contar que aspirava o seu felino com aquele acessório do aspirador que é uma escova pequena, e a dizer que o bicho adorava porque sentia-se como se o estivessem a afagar.
Embora a ideia me parecesse disparatada, a tentação de um lar limpo sem muito trabalho, levou-me a querer experimentar a façanha. Fui para casa, preparei todos os apetrechos, pedi reforços à sua dona e, após nos trancarmos os três dentro da casa de banho, ligo o aspirador e aquilo que se seguiu foi uma cena digna do “Isto só vídeo“ (com bolinha): com o barulho, o gato ficou mais alterado que uma pessoa que eu cá sei quando ouve falar em casamento! Ele, que já de si é enorme, triplicou o seu tamanho em pêlos eriçados, esbugalhou os olhos e desatou a dar saltos de aflição, derrubando-me e partindo-me frascos de perfume, sabonetes e tudo o mais que se encontrava ao alcance do seu súbito ataque. E tudo isto com a minha filha, ao ver-se envolvida no meio daquele trama, a gritar a plenos pulmões.
Perante tal cenário caótico, fiquei tão atarantada que não conseguia reagir e desligar o aparelho. A cena prolongou-se por uns largos segundos.
Quando por fim, lá consegui controlar a situação, abri a porta e o pobre do bicho foi esconder-se debaixo da mesa da cozinha, até que, pouco a pouco, o seu tegumento natural foi voltando ao sítio (seja, metade agarrado à pele e outro tanto ao chão). Entretanto, tive que ir acalmar a minha filha que chorava e dizia que o seu gatinho ia ficar traumatizado para sempre…
Resultado: agora anda tudo de trombas lá em casa e eu continuo com a minha irritante actividade de “caça-aos-pêlos”.
Ainda há quem diga que uma gaja sozinha não se diverte!

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