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Diário de uma divorciada

Diário de uma divorciada

01.Mar.07

A política do divórcio

Já repararam que o estatuto de solteiro é irrecuperável tanto no nosso B.I. como na atitude que “deveremos” adoptar face à nossa nova condição de pessoa divorciada, ou separada (e nunca solteira ou livre). Afinal, que democracia é esta!??
Quase sempre associamos o divórcio a um acontecimento negativo na nossa vida, tal perspectiva deve-se a variados motivos, onde o mais forte é, sem sombra de dúvida, a pressão quer da família quer da sociedade a que estamos sujeitos desde o “a priori” até ao “à posteriori” daquilo que marca a nossa existência enquanto seres sociais: o casamento. O casamento, esse eleito umas vezes pela maioria absoluta do nosso coração, outras apenas nomeado pelas simples convenções sociais.

Existem duas grandes forças manifestamente presentes num período pré-divórcio; duas forças que, ainda que não existam fisicamente, estão presentes no momento da nossa tomada de decisão e são elas: os conservadores e os revolucionários. A luta é grande até que o candidato a divorciado consiga vencer as duas quase sempre convencendo-as através de factos que colocam a felicidade do indivíduo acima das condições socio-morais. Finalmente conseguem, mas quando mal acabam de ajeitar-se para conviver harmoniosamente com uma madura aceitação vitoriosamente conseguida, eis que as duas forças que aparentemente haviam desaparecido se transformam em novas correntes ainda mais difíceis de ultrapassar: os conservadores transformam-se em moralistas e os revolucionários ramificam-se em conformados, insatisfeitos, coitadinhos e novos revolucionários.

É dos novos revolucionários que surge e deverá surgir uma nova política: a política positiva: é ela a que gostaria de destacar, apelando ao vosso bom senso para deixá-la ser o novo poder político da vossa vontade e realização; façam um referendo ao vosso coração e antes de mergulharem novamente na ditadura maquiavélica do vosso descontentamento, antes de se armarem em patinhos feios e chorarem baba e ranho pela oportunidade perdida, façam o favor de arregaçar as mangas e seguir em frente, marchando orgulhosamente como uma tropa treinada e armada até aos dentes de sorrisos e flores.

E já agora um slogan para quem se queixa de solidão: haverá multidão maior do que aquela que habita a nossa consciência!?