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Diário de uma divorciada

Solidão perdeu a rima...

 

Ultimamente, tenho andado tão ocupada que, com o tempo, pareço ter-me esquecido da solidão.

Esquecer a solidão, aprender a bastar-nos a nós mesmos, não sei se será um bom sinal. O sentimento de paixão surge mais facilmente quando nos sentimos carentes; quando ansiamos por um ombro onde encostar a cabeça; quando nos sentimos infelizes, incompletos. Já o amor… o amor verdadeiro não nasce de uma necessidade pessoal, mas de um impulso genético, natural, cujo interruptor é a nossa maturidade emocional.

Antigamente, a qualquer lugar onde ia, parece que só via casais felizes por todo o lado. Era uma situação que me deprimia e deixava desconfortável, era como se procurasse confirmar o facto de toda a gente estar “emparelhada” para apenas me massacrar, para me sentir ainda mais desgraçada.

Depois, veio outra fase: a fase de começar a não ver apenas os casais, mas a “olhar” para eles. E então notei que, especialmente nos casais mais velhos, elas têm um ar, no geral, mais “deslavado” e eles estão barrigudos e já não se barbeiam; ambos parecem já não ter brilho no olhar.

Agora, continuo a reparar nos casais, mas já não procuro entender se estão acomodados ou felizes. Não quero saber. E não quero saber, porque, finalmente, percebi que casar ou não casar, namorar ou não namorar… não é isso que define as pessoas. O que define as pessoas são os seus critérios de bem-estar na vida (porque falar de felicidade é mais subjectivo ainda) e a forma como batalham ou não para conseguir alcançar esse bem-estar. E esse bem-estar pode até ser comodismo. Não interessa. Cada um é dono de escolher o seu próprio caminho. E eu não preciso de mais dados externos para descobrir o que quero da vida, da minha vida.

Ainda este fim-de-semana fui a um evento sócio-familiar (chamemos-lhe assim) e reparei (é óbvio que ainda reparo) que toda a gente estava com um/uma respectivo/a. Vai daí, entreguei-me ao divertido jogo que consiste em descobrir quem-está-com-quem. E sabem o que foi mesmo surpreendente? Foi a conclusão que retirei dali: ao invés daqueles sentimentos esquisitos, dei por mim entregue à lógica do “Aqui não me safo!”.

 

Isto prova que a solidão não é nenhum monstro. Monstro é o uso indevido que fazemos dela.

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