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Diário de uma divorciada

Uma prisão chamada passado

 

A Susana é minha amiga de infância e está divorciada há mais de dez anos.
O que me custa ver aquela mulher ainda enterrada no desgosto e não conseguir fazer nada! A Susana era uma mulher bonita: magra, cabelo comprido ondulado e uns grandes olhos azuis. Casou com o seu príncipe encantado mas um dia adoeceu, uma doença do foro neurológico e o gajo “pôs-se ao fresco”: foi viver com outra de quem até já tem dois filhos.
A Susana não aceita a realidade. Desde que ele saiu de casa que vive isolada num mundo só dela; a doença agravou-se e ela que era uma mulher elegante e jovial, está agora irreconhecível: engordou quase trinta quilos e envelheceu outro tanto em anos. Nos seus delírios, o marido ainda a ama, está só à espera do momento certo para voltar para ela.
Sinto-me impotente, tento fazer-lhe ver a realidade mas ela recusa-se a ouvir-me. Não quer acordar para a vida. Aliás, a Susana deixou de viver. Eu insisti durante bastante tempo, escutando-a apenas, a tentar perceber qual seria a base daquele desarranjo emocional; o pai abandonou-a ainda em criança. Como dois e dois são quatro, tentei uma terapia de choque: Agarrei-a pelos ombros, sacudia-a e disse-lhe num tom de voz firme: “Ele não volta!”.
Foi como se tivesse sacudido uma laranjeira ornada de laranjas podres: chorou, esperneou e depois agachou-se, pegou na fruta apodrecida e levou-a para casa, para uma fruteira que transformou em altar. Ficou zangada comigo, não me fala. Soube há pouco que continua desesperada à procura de alimento para a sua obsessão doentia: virou-se para o mundo das bruxas e videntes, insistindo em construir um forte cada vez mais impenetrável onde nem a família nem os amigos conseguem entrar.
Trouxe aqui a história da Susana para que todos o que insistem viver no passado a tomem como um exemplo de como não se deve reagir a uma separação.
Viver é saber aceitar as contrariedades e seguir em frente. Quando não se consegue sozinho(a), torna-se urgente e necessário pedir ajuda. Não tenham vergonha de parecer fracos(as) pois fraco é quem não consegue admitir que perdeu.

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