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Diário de uma divorciada

O que é ser feliz (no amor)?

 

Ser feliz no amor é o sonho de muitos, senão de todos. Quando não se é feliz no amor acabamos por nos transformar em pessoas emocionalmente solitárias, independentemente do nosso estado civil. É-se solitário quando não se tem ao lado, alguém que seja cúmplice da nossa vida, com quem se partilhe não só o dia-a-dia mas também os anseios, as expectativas, os projectos, as preocupações, tudo.
Um pouco por culpa da nossa herança cultural e em parte também devido à nossa natural tendência para nos familiarizarmos, damos por nós, provavelmente mais vezes do que seria desejável, a culpar a solidão sentida por tudo o que nos corre mal, e colocamos numa possível relação amorosa equilibrada, a base da nossa felicidade e harmonia. Pressentido, bem lá no nosso íntimo, que o mundo seria muito mais colorido e a vida muito mais agradável se tivéssemos ao nosso lado alguém capaz de nos complementar.
Pena é que essa necessidade se manifeste, quase sempre, de uma forma muito pouco concreta…
Experimentem perguntar a uma pessoa assumidamente solitária, quais seriam os traços de carácter e personalidade da sua hipotética “alma-gémea”. Quase de certeza, ela ficará pensativa, com um ar sonhador e completamente alheado da realidade e não vos dará uma resposta objectiva. Experimentem, também, perguntar a uma pessoa insatisfeita com a sua vivência o que é que a faria feliz, e, o mais certo, é ela responder algo vago e pouco provável como “ganhar o euromilhões” ou “encontrar a pessoa ideal”.
No que respeita ao amor, talvez a chave de todos os falhanços seja precisamente o idealizar demais, sem a noção exacta daquilo que se procura, daquilo que nos faz sentir bem e realizados, daquilo que, verdadeiramente, queremos, esperamos e precisamos do outro e, principalmente do que o outro tem para nos oferecer ou está disposto a nos dar. O pior de tudo é que nos resignamos e aceitamos o facto de nunca acertarmos como sendo algo comum a toda a espécie humana, chegando ao cúmulo de arranjar desculpas feitas, em modo de sentença, tais como “o ser humano é insatisfeito por natureza” ou “ninguém é feliz com aquilo que Deus lhe deu”, etc. Tudo por não conseguirmos (ou não querermos) encarar o óbvio.
Quando não cruzamos os braços e desistimos, andamos às cegas, andamos à sorte, andamos às voltas atafulhando-nos de deveres e afazeres “porque temos que ser práticos” e acabamos por negligenciar o que é, de facto, importante.
E o importante é reconhecermo-nos sem precisar de espelhos; é sabermos o que queremos e o que nos faz felizes. Se não for assim, nunca teremos um ponto de partida para as nossas realizações e sem um ponto de partida, não há ponto de retorno e tudo o que fazemos e experimentamos acaba por cair na sarjeta da fatalidade.
Até porque quem não sabe o que procura, acaba por encontrar o que não quer...

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