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Diário de uma divorciada

Diário de uma divorciada

15.Abr.08

Estranha forma de amar

Só hoje me perguntaste se sou livre para te amar.
Liberdade… liberdade é amar-te pelo que és e pelo que não és.
Como não chegas, também não partes; como não estás, não podes nunca ausentar-te.
E no entanto estás sempre presente: na ausência, na espera, no desespero… na calma dos dias vazios, na lucidez das noites perfeitas que se perpetuam no tempo, nas memórias do que passou e do que está a caminho…
Nua, cavalgo a galope pelas cinzas do tempo. Cabelos soltos pelo vento da imaginação… Só assim consigo alcançar-te.
A música saída do piano há muito empoeirado eleva-me à eternidade e faz-me voar livre para longe, para lá, mais para lá ainda onde os espinhos das rosas são de algodão doce e a chuva não tem a acidez do pranto ou da saudade.
Sabes, és o meu amor-perfeito, porque és ideal. E como és ideal, não precisas de rosto nem de corpo, nem de dedos, nem de sexo. Alimentas-me e eu alimento-te. Nascemos juntas e morreremos juntas e para isso não precisamos de promessas.
Gosto de fechar os olhos e caminhar, descalça, pela areia molhada. E sentir-te na brisa do mar que vem carregada, tão carregada de segredos para me entregar.
Às vezes sorrio, sorrio meio louca e adormeço assim, até acordar, no dia seguinte, com o som do despertador a tocar uma música alegre que também me lembra como é bom estar viva.
Amo-te, solidão. Agora que já sabes, podes ir-te embora…

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