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Diário de uma divorciada

Diário de uma divorciada

11.Abr.08

Sondagem

Quando se fala em emancipação feminina vêm-nos logo à ideia o quadro de mulheres bem sucedidas que já não precisam de submeter-se a uniões insatisfatórias apenas por não terem meios económicos para se sustentarem.
Algumas coisas mudaram nesse sentido, mas há uma realidade social crescente que não é muito valorizada: o facto de existirem muitas famílias monoparentais predominantemente encabeçadas por mulheres.
Somos independentes, conseguimos avançar alguns passos, mas continuamos a ser prejudicadas. O problema é que não podemos queixar-nos porque se nos queixamos, ou estamos a armar-nos em vítimas ou somos más mães.
Não vamos desculpar-nos com as políticas do governo nem dissecar aqui as razões porque continuam os homens, no geral, a ser melhor pagos pelo seu trabalho do que as mulheres. Vamos tentar ver a questão numa perspectiva mais prática e objectiva.
Gerir uma casa é como gerir uma empresa. Normalmente, um casal médio, com um agregado de 3 pessoas entra com um saldo positivo equivalente a dois salários mensais a partir dos quais vão ter que pagar a prestação da casa, a água, a luz, o gás, telefone, carro, alimentação, vestuário e actividades de lazer. Anualmente contam com 28 salários para fazer face às despesas mencionadas.
Uma mulher, com um agregado de 2 pessoas conta com 1 salário para fazer face às mesmas despesas (no que toca aos encargos com a casa, o valor é exactamente igual à situação do agregado com 3 pessoas). Por ano, conta com 14 salários, com a agravante do valor desses 14 salários corresponderem, normalmente, não a metade dos 28, mas a um pouco menos.
Ok. Problema identificado. Agora as possíveis soluções:
1ª - Trabalhar mais, de forma a levar mais dinheiro para casa, abdicando, por exemplo, dos fins-de-semana, diminuindo, consequentemente, o tempo de convívio com os filhos e a sua própria qualidade de vida.
2º - Dividir a casa com uma amiga na mesma situação.
A primeira solução é a mais comum. Já a segunda, raramente se verifica. E eu questiono-me: porque é que uma pessoa só pode dividir as despesas com um companheiro (marido ou namorado)? Onde é que isso está escrito?
Assim, surgiu-me uma ideia: talvez não fosse mal pensado colocar o diário ao serviço da comunidade e promover aqui uma espécie de rede solidária feminina. Preparar uns anúncios, pôr as pessoas interessadas em contacto e ver o que acontece, mas antes disso, gostava de contar com a vossa opinião e algumas sugestões de como colocar esta ideia em prática.
Bora lá?
 

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