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Diário de uma divorciada

Testemunhos XXII

E para fechar com chave de ouro, aqui vai o contributo de um habitual comentador aqui do blog, que é também já um amigo (obrigada, Márcio e felicidades para o teu casamento, com o selo de garantia aqui do Diário):
Como já disse em alguns comentários do blogue, eu estou prestes a ser um recém-casado e por isso a minha experiencia em divórcios é nula no que diz respeito à experiencia pessoal. Gostaria de contribuir se me fosse permitido com a minha experiencia profissional como tarólogo e não vou relatar nenhum caso especifico de alguém, porque também preciso de preservar os meus clientes mas vou sim relatar uma situação que é corrente e acontece tanto ao casal Soares de valência como ao casal Silva de Faro:

" O casal Maravilha, o João e a Maria, estão casados há cerca de 7 anos. Com uma criança de 5 anos e toda a gestão da vida familiar começa a ser complicado arranjar forma de manter romance na vida deles. O João trabalha numa firma de advogados e gosta de estar no seu melhor, sempre acessível com os clientes e colegas de profissão, sabe que é um bom profissional e tem orgulho na posição que tem. Por sua vez, a esposa, administrativa, esforça-se por ser uma boa profissional para conseguir finalmente ter algum reconhecimento na empresa e talvez obter um aumento generoso. As preocupações com a filha, principalmente de saúde, fazem com que mal saia do trabalho se dirija a casa da mãe para ver se a filha hoje se portou bem na escola e não teve nenhuma crise de asma. Ela espera que quando chegar a casa já o marido tenha o jantar adiantado e, com um pouco de sorte, a mesa posta.

Não teve sorte!! Chegou a casa e o marido estava também a chegar a tomar um duche, nada de jantar nem de mesa posta. Ele bem a aliciou para um banho a dois mas a Maria não podia pensar em romances, tinha uma criança para alimentar e tratar de algumas tarefas da casa. Por volta das 23h já estoirada deita-se e tenta descomprimir abraçando-se ao marido, ele aproveita a deixa e começa a tocar-lhe mas os avanços são negados devido ao cansaço natural de um dia exaustivo - "Amanha João, abraça-me apenas".

Esta rotina diária faz com que o joão em vez de procurar uma solução para aliviar a carga da esposa, comece a direccionar a sua atenção para uma colega que se mostra muito compreensiva com ele e percebe na perfeição os encargos e responsabilidades que ele tem. Ela chega mesmo a dizer que um homem assim merece uma atenção especial e ele gostou de ouvir isso. Com o passar do tempo, o João não procura tocar na Maria e ela sente essa frieza por parte do marido. "Será que tem outra? Serei que já não em deseja?" - Mesmo assim ela batalha diariamente para manter uma rotina violenta e rigorosa que faz com que ela se esforce para ser boa mãe, boa esposa e boa profissional.

Os dias vão passando e o marido começa a fazer serão, chegadas tardias e nem mesmo atenção lhe dá e à filha. Ela sente-se sozinha e desabafa com um amigo de longa data, por sinal a passar por um período também ele menos positivo na sua vida afectiva. As saídas e conversas com ele são mais frequentes e a preocupação com o marido começa a diluir-se.
O João por sua vez fartou-se da colega, apesar do sexo ter sido bom, ele sabe agora que é a Maria que quer e vai tentar mudar o rumo das coisas. Chega a casa e prepara um jantar, deita a filha e espera pela esposa. A Maria chega e fica sem saber o que fazer com tal gesto. Amam-se no quarto mas ela não sentiu nada, o pensamento dela estava com o amigo, com quem mantém um caso há cerca de um mês. E ao fazer amor com o marido pensa noutro homem, sente-se mal e torna-se fria com o João que, sem saber a razão, percebe a distancia da esposa e pela primeira vez desconfia que ela o trai.

Conhecedor de certas profissões, contrata, no dia seguinte, um detective que passado uma semana lhe revela a noticia chocante, a esposa tem um caso. Chegou o momento da verdade e de confrontar a Maria, não para a culpar ou maltratar mas para lhe dizer que a ama e quer ficar com ela. Maria escuta tudo e simplesmente não consegue aceitar a proposta, porque ela neste momento já não sente nada, o marido é um amigo e nada mais. Já não o deseja nem sente paixão, isso é pertença de outro. É tarde demais para ambos, deixaram a situação chegar a um ponto de ruptura tal que o melhor agora é seguirem os seus rumos separados".

Esta história, relatada por tantas pessoas, homens e mulheres, vem alertar para um erro crasso: a falta de comunicação no casal. O que poderia ser resolvido numa primeira instância, torna-se num ponto sem retorno mais para a frente. Nem todos precisam de viver felizes para sempre mas podem perfeitamente dialogar felizes para sempre.
Márcio Branco
http://tarotnet.blogs.sapo.pt

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