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Diário de uma divorciada

Testemunhos: XVIII

Sou a Paula, tenho 25 anos e não sou divorciada, mas já vivi maritalmente.
Tinha eu vinte anos decidi juntar-me com o namorado na altura que tinha mais 7 anos que eu. Um amor-perfeito, um companheirismo e uma cumplicidade inexplicáveis e ele sempre uma pessoa impecável.
Comprámos casa e eu achei sempre que era aquele o homem da minha vida. Não via, contudo, um pormenor muito importante: a forma como ele tratava a mãe. Sei que a educação dele, ou melhor a má educação dele contribuiu para ser a pessoa que ele sempre foi. A mãe dele, uma excelente pessoa, vivia para ele e para a casa sempre com tudo impecável e até lhe levava a comidinha à cama.
O nosso “casamento” começou a correr mal quando ele ficou desempregado. Percebi que ele era demasiado mal habituado e que ajudar em casa era mentira, e eu depois de 8 horas num emprego e mais 5 de part-time, chegava a casa e ainda via a mesa do almoço por arrumar, a loiça por lavar e o menino a jogar playstation. Ainda tinha que ouvir que trabalhava demais e que era uma desarrumada! Claro que alguém tinha que trabalhar para pagar contas em casa!
Começaram as discussões, as ofensas, as noites em que uns ao lado do outro estávamos em silêncio. A gota de água? Uma criança que era para nascer e não nasceu, o médico assim aconselhou. No entanto, não tive qualquer apoio da outra parte, não que tenha ficado traumatizada mas também não o fiz sozinha. Foi nessa altura que pensei: “ Afinal para quê continuar com isto se eu já passei isto de outra forma?” (tive uma infância complicada, sem o apoio dos meus pais, sempre trabalhei e tirei o meu curso sozinha). Tentei, de todas as formas, resgatar os velhos tempos mas era impossível, se eu tinha tantos defeitos e nenhuma qualidade para quê continuar a sofrer?
Decidi sair de casa e, mais uma vez, recomeçar do zero.
Hoje passados quase dois anos, olho para trás e vejo que a minha essência estava a perder-se, a miúda que toda a gente admirava (porque apesar de tudo sempre fui muito bem disposta e optimista) tinha desaparecido.
Não me apetecia nada nem ver ninguém! Decidi enfiar, literalmente, a cabeça no trabalho (ainda hoje mantenho dois empregos) e optei pela paz de espírito.
Sinto que o pior destes últimos dois anos foi a solidão. Costumo dizer que a solidão é uma óptima conselheira mas tem dias que é uma péssima companhia. Fiquei descrente do amor, confesso. No entanto, um amigo de longa data invadiu o meu cantinho e tem- me mostrado que nem todas as pessoas são iguais e que com quase 26 anos ainda tenho muita vida pela frente, sempre com esta força e esta garra que vou buscar nem sei bem onde, que me faz levantar a cada dia, acreditando que o futuro pode ser bem risonho basta acreditar e não deixar nunca que nos tirem o melhor que há em nós! 
Hoje em dia riu-me porque o meu ex. descobriu que esta apaixonado por mim e tenta reconquistar-me, ao que eu lhe pergunto: Eu era tão má e agora já sou boa? Ele diz que cresci e que me tornei uma mulher. Claro, quem aguenta cuidar de um bebé grande e mimado! Acredita nisto? A vida realmente dá grandes voltas!

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