Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Diário de uma divorciada

Diário de uma divorciada

17.Mar.08

Testemunhos: XVII

Antes de mais gostaria de deixar dois pensamentos que penso reflectirem um pouco o que tem vindo “à tona” neste desafio que a autora do blog promoveu e, diga-se de boa verdade, alcançando plenamente os objectivos a que se propôs. 
1-       É com alguma tristeza, mas com maior esperança ainda, que ao verificar o rol de almas que “tropeçaram” no destino (para quem acredita nele!), sentindo na pele e, não menos vezes na carne, as feridas provocadas pela implosão dos seus sonhos mais inocentes, não fossem eles alimentados pelo combustível da paixão e impelidos pelo incontrolável arrebatamento do amor por outrem, ter a certeza que existe sempre “vida para além do divórcio” e que todos têm o dever de, pelo menos, tentar ser felizes.
 2-       Constatar a amargura, legítima a todos os níveis, que a maior parte dos divorciados, evidenciam em relação ao compromisso interrompido e aos respectivos ex-companheiros. Nos casos mais extremos, mais recentes, ou talvez mais dolorosos, este sentimento confunde-se com ódio, repulsa ou (aparente) desdém.
 Esta é a minha versão:
No meu caso (e são todos diferentes), o casamento de 12 anos acabou em circunstâncias, pode-se dizer, dramáticas.
A relação já há algum tempo que não corria bem – vendo bem, se calhar nunca correu, pelo menos como é comum nos casamentos ditos “normais” -, mais uma vez reforçando a ideia de que quando se casa por paixão, não vemos um boi à frente dos olhos (quanto mais, família, os amigos, os amigos dela, os pais dela… o termo sogros causa-me arrepios).
Ainda assim, lá está, pensando no melhor para os miúdos (na altura dois), protelei a decisão, a mudança - seja lá o nome que se queira dar – partindo do pressuposto que seria sempre preferível continuar a viver com os filhos, mesmo verificando que o ambiente familiar se degradava a passos largos, do que partir para o inevitável: a separação.
Mal eu sabia que ela iria surgir pela brutalidade de um acidente que levou o meu filho mais velho a ficar entre a vida e a morte.
Nessa altura, enquanto (des)esperava por um sinal positivo do coma em que o meu filhote se encontrava, senti que a minha vida nunca mais seria a mesma, independentemente do desfecho.
Foi nessa altura que o senti e naturalmente decidi; a vida é curta demais para investirmos no sofrimento de uma relação que temos a certeza ter terminado (todos nós sabemos quando ela chega, mesmo que a tentemos encobrir), por muito que se tentem arranjar argumentos a favor da sua continuidade.
Mais vale o salto no escuro, passando por todas as fases (algumas delas terríveis) que o pós-divórcio nos obriga, mas sentindo que somos simplesmente nós, novamente, e que temos aqueles doces “projectos de pessoas” que precisam tanto dos pais “em forma”, como os pais deles.
Felicidades
“João”

5 comentários

Comentar post