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Diário de uma divorciada

Diário de uma divorciada

08.Mar.08

Testemunhos: VIII

Tenho 32 anos e um filho de seis mas ainda estou casada apesar de verdadeiramente infeliz.
 
Casei-me no dia em que fiz 19 anos com a certeza que a partir daquele dia a minha vida seria sempre um mar de rosas. Não podia estar mais enganada...
No fundo, talvez a culpa seja minha, primeiro por nunca ter estado verdadeiramente apaixonada e segundo por pensar que através do casamento resolveria a questão da minha independência para não ter que dar satisfações à minha mãe de onde ia, do que fazia, com quem estava, etc...
 
Casei em Agosto de 1994 e ainda não tinha feito dois anos de casamento, já estava separada, mas sem resolver as coisas porque com o meu marido não se consegue ter dois dedos de conversa inteligente... Naquela altura, agarrei nas minhas coisinhas (roupa minha e pouco mais), saí da minha casa e voltei para a minha mãe (um dos maiores erros que podemos cometer, acho eu). Depois de quase um ano a viver com a minha mãe, conversei com o meu marido, já que tínhamos uns assuntos para resolver como a venda da casa que tínhamos partilhado e, talvez por estar carente ou nem sei bem porquê, depois de muitas juras que tudo ia ser diferente da primeira vez, voltámos.
 
Como tínhamos a casa já vendida, fomos morar com os meus sogros. Tudo voltou a ser como era antes ou talvez ainda pior, mas fui aguentado pensando que dias melhores viriam e que com a idade o meu marido de certeza ia mudar e passar exactamente a ser tudo aquilo que eu sempre esperei dele. Em 2000 comprámos outra casa que por sinal precisava de umas obras. Como ele nunca mais tratava de resolver as coisas e eu queria sair da casa dos meus sogros e ter o meu cantinho, resolvi engravidar, pensando eu, nessa altura, que na minha casinha e dedicada ao meu filhote seria feliz e tudo o resto não me ia importar. Claro que não resultou... Amo o meu filhote acima de mim mesmo, mas é ilusão da nossa parte pensar que uma coisa tapa a outra. Nem pensar...
 
De há dois anos a esta parte estive bem no fundo da linha, já nem me importando comigo, nem com o trabalho, nem com a casa. Foi graças à net e a alguns amigos que consegui dar a volta e começar a tomar as rédeas da minha vida; mas porque carga de água havia eu de fazer as coisas como os outros pensavam ou queriam? Porque não havia eu de dizer sempre aquilo que sinto quando o estou a sentir?
 
Assim, aqui estou eu, nos dias de hoje, com a certeza de que o meu casamento não tem futuro (coisa que nem passa pela cabeça do meu marido). Cada vez que falamos nisso e eu tento fazer-lhe ver as coisas que juntos não temos futuro, olho para ele e vejo, simplesmente o pai do meu filho. E eu faço-lhe ver que juntos nunca poderemos construir nada para o nosso filho, mas ele diz, simplesmente, que me ama e que devemos tentar e que se eu for para ele, ele será para mim, etc.. Tudo conversa em que já não consigo acreditar...
 

Ainda não estou divorciada simplesmente porque sei que ele não me vai facilitar nada e tenho muito receio em relação ao meu filho não quero que ele sofra...

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