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Diário de uma divorciada

Testemunhos: VI

A história que vou contar foi vivida na terceira pessoa. Pedi autorização para a divulgar, mas vou utilizar nomes fictícios, não só porque me foi pedido, mas também por não saber quem poderá ter acesso a este blogue. Eu própria optei por não me identificar (espero que não leve a mal) e utilizar o meu nickname pelos mesmos motivos. Além disso, trata-se de um caso bastante complicado e que ainda se arrasta aos dias de hoje.

Luísa conheceu o que viria a ser seu marido na universidade. Ele era simpático, bonito e depressa chamou a sua atenção. Partilhavam os mesmos gostos, o mesmo curso e com o passar do tempo foram criando uma amizade que rapidamente passou a namoro. Como namorado, Manuel era tudo o que Luísa desejava e achava que um homem perfeito deveria ter. Para além de simpático, Manuel era também um cavalheiro, romântico e muito surpreendente. O pedido de casamento foi feito como manda a tradição: jantar à luz das velas, com os pais de ambos presentes, anel de noivado e pedido feito de joelhos. Parecia tudo saído de um conto de fadas...

O casamento foi uma festa digna de ser ver. A lua-de-mel prometia ser perfeita.Na primeira noite de núpcias, Manuel disse a Luísa que ia sair por 5 minutos para fumar um cigarro. Porém, estes 5 minutos alongaram-se e, Luísa, preocupada, decidiu dirigir-se à recepção e perguntar pelo seu marido. O recepcionista informou-a que ele já havia subido. Ela perguntou então para que quarto e pediu a respectiva chave inventando uma desculpa qualquer. O que ela descobriu acho que não passava pela cabeça de ninguém. Assim que abriu a porta do quarto viu o seu marido com outro homem (sim, outro homem) que, segundo veio a saber mais tarde, era já namorado de Manuel, mesmo antes de terem começado a namorar.

O divórcio era inevitável. Mas para além deste, foi também pedida a anulação do casamento uma vez que não foi consumado. As dificuldades a nível burocrático não foram nenhumas, pois o divórcio foi amigável e, como Manuel temia um escândalo perante os amigos e conhecidos, de mútuo acordo.
 
O que ainda está a ser muito difícil é a recuperação do grande choque que foi saber que aquele homem perfeito era afinal homossexual e a tinha usado para esconder da família e da sociedade a sua verdadeira identidade.

Passado pouco mais de um ano, Luísa ainda faz tratamento psicológico e a sua visão do futuro é pouco optimista. Mas lentamente começa a recuperar a sua auto-estima e eu acredito que a minha amiga voltará a sorrir novamente. Afinal, ainda é tudo muito recente e não é de um momento para o outro que se esquece uma história destas, que mais parece ter saído de um livro ou novela, mas, infelizmente, é bem real.
 

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