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Diário de uma divorciada

Diário de uma divorciada

04.Mar.08

Testemunhos: IV

Chamo-me Sílvia, tenho 29 anos e não sou divorciada (nem casada). Sou filha de pais divorciados, e de um pai que se divorciou também das filhas.
O divórcio dos meus pais já era esperado e não representou qualquer surpresa para mim, que tinha na altura apenas 8 anos. O meu pai biológico era infiel à minha mãe e além disso, todo o dinheiro em que conseguia deitar a mão, era para gastar nas outras mulheres, nas saídas e em bebida.
A separação foi difícil, talvez não para mim, psicologicamente, pois eu nunca tinha sentido sequer um mimo ou carinho por parte dele, mas porque aconteceu numa altura em que a nossa vida estava a desmoronar-se. Entre outras situações, de mortes na família e nascimento do meu sobrinho com problemas de saúde, eu estava doente do coração e tinha de ser operada senão iria morrer, e a minha mãe, devido aos nervos associados a tudo isto, desenvolveu uma doença gravíssima que a impediu de trabalhar, e que ainda hoje tem de sobreviver com ela (não sei se conhecem, mas é a Doença de Crohn). Com isto a minha mãe não tinha dinheiro sequer para me levar as consultas de cardiologia em Coimbra, nem tão pouco para ir comigo para o Porto para ser operada… onde ele nunca sequer me visitou.
Durante os anos seguintes, a minha mãe fez várias tentativas para que ele pelo menos pagasse a pensão de alimentos que devia (para mim e para a minha irmã, 15 meses mais velha que eu) … mas de cada vez que o tribunal o "obrigava" ele despedia-se do emprego e ficava a trabalhar "por fora" para que o tribunal não pudesse obrigá-lo a pagar. Foram anos muito difíceis, em que a minha mãe fez muitos sacrifícios para que eu e a minha mana pudéssemos continuar a estudar, apesar de ter de ser internada várias vezes devido à doença.
Foi numa dessas ocasiões que eu falei para ele pela última vez. Eu tinha 13 anos e a minha mãe estava muito mal no hospital. Ele foi a nossa casa, onde eu estava sozinha com a minha irmã, e, decididamente, disse que era dessa vez que a minha mãe iria morrer, e que assim que isso acontecesse, ele iria morar lá para casa, tirava-nos da escola e punha-nos a trabalhar. A minha mana só chorava, e eu, decidi nesse momento que a minha mãe não iria morrer naqueles anos e que eu iria estudar e tirar o meu curso superior, custasse o que custasse.
E assim foi… hoje sou Eng.ª Industrial e felizmente bem sucedida no trabalho, infelizmente muito desconfiada no que diz respeito ao amor. Hoje tenho 29 anos, mas considero que há muitas coisas que não faço por causa do que se passou na minha infância. Casar nem sequer me passa pela cabeça e ter filhos ainda menos… sei que nem todos os homens são iguais, mas não quero arriscar.
Apenas faço um pedido: pais de hoje, nunca façam isto aos vossos filhos, pois isso deixa marcas para toda a vida… eu sei…acreditem!

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