Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Diário de uma divorciada

Diário de uma divorciada

03.Mar.08

Testemunhos: III

Sou desde algum tempo e muito por culpa do “sapinho” uma assídua leitura deste seu cantinho. Por muitas vezes já dei comigo a rir, de lágrima no olho ou simplesmente surpreendida porque afinal há mais pessoas que pensam como eu.  Temos, além da idade em comum, o facto de também eu ter uma filha e também eu ser divorciada. Por isso e para retribuir um pouco o que tenho retirado do que escreve, aqui vai:
- Como e porquê chegaram ao divórcio
A resposta mais simples e honesta a esta pergunta é:  não sei! Foi uma relação longa, um namoro de quase 10 anos com algumas rupturas pelo meio claro, e depois uma casamento de sete. Mudamos, crescemos e em sentidos diferentes... nunca  (em prol de um casamento que todos achavam ideal) discutimos pontos de vista, direcções, sentimentos.
A acrescentar a tudo isto a consciência que hoje tenho de nunca ter estado apaixonada... vivíamos e convivíamos bem, sem brigas, monetariamente confortáveis, mas também sem sonhos conjuntos, sem verdadeiros interesses comuns...
Hoje tenho certeza que desde que a minha filha nasceu, tive perfeita consciência que aquele não era o meu caminho mas o medo e a falta de coragem fizeram com que só 3 anos depois tivesse acontecido...
- Quais as principais dificuldades encontradas no período pós-divórcio
Lembro-me de na altura só pensar que a minha prioridade era que a minha filha que ela saísse o menos magoada e ferida de uma situação em era claramente a mais prejudicada e de que em nada tinha contribuído para este desfecho.
Ao contrário das indicações que deu num post recente abri mão de tudo o que fosse material... troquei-o pela custódia da minha filha e não me arrependo! Mas isso implicou a perda da minha independência, o ficar eu e a minha filha sem casa, o retornar a casa dos meus pais por necessidade ( e, claro, também facilidade). Não foi fácil mas foi o melhor para mim e para ela... da solidão da altura lembro-me mas não em demasia (não havia tempo)... afinal,  eu já vivia com ela mesmo casada,  era diferente apenas.
Depois foram as burocracias e a frustração de um projecto de vida falhado
- Como se sentem hoje
Depende, há dias em que me sinto em paz, feliz de bem com a vida e com o mundo, outros muito sozinha, carente com pena que o ” e foram felizes para sempre” não tenha resultado comigo... Tenho desde o 1º dia certeza que acabou e é irreversível e se provas precisasse… o facto de ele já ter refeito a sua vida não me afectar realmente não me deixa margem para dúvidas.
Eu conto as bênçãos que tenho diariamente: a minha adorada filha , uma família pequena mas leal, um trabalho de que francamente gosto, e poucos mas bons amigos. Mesmo assim ainda sonho... não com o príncipe encantado que esse como costumo dizer não tem GPS...
- Como encaram o futuro
Apenas queria ter uma certeza: que vou conseguir ver a minha filha crescer e educá-la para  que seja uma “bela mulher” em mais do que um sentido. Para mim, não sei… Sim, claro que queria um amor mas não um amor qualquer, pus a fasquia muito alta e não me contento com mediocridades ...  queria “ the real thing” se não acontecer, então queria apenas paz na minha solidão para que consiga ser uma solidão mais feliz!
A.

10 comentários

Comentar post