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Diário de uma divorciada

Diário de uma divorciada

26.Fev.08

Divórcio: Litigioso ou Amigável?

Obviamente, somos todos civilizados e todos preferimos resolver os nossos problemas de forma pacífica. Acontece que quando se trata de um divórcio, a questão prende-se mais com a urgência de ver tudo resolvido do que com o civismo propriamente dito, pelo que é preciso usar da cautela, sobretudo quando há filhos em jogo.

 
Deixo aqui uma advertência especial às mulheres (já que são elas que, por norma, ficam com o poder paternal): cuidado com aquilo que assinam!
 
Os pontos mais importantes a constar num acordo escrito são:
  1. O destino a dar à habitação da família
  2. O valor fixo da pensão de alimentos que o pai terá que pagar-vos, por cada filho
  3. O regime de visitas do pai à(s) criança(s)
É de toda a conveniência a consulta de um advogado, pois tudo deve ficar estipulado de forma clara e precisa, já que é com base neste documento que poderão, mais tarde, se necessário, recorrer à justiça por alegado incumprimento. Os dois até podem dar-se lindamente até ao resto da vida, mas como ninguém adivinha o futuro, o melhor é precaverem-se.
Uma boa parte dos homens que se divorcia (e peço desculpa às excepções, que eu bem sei que as há) é muito bem intencionada até ir à sua vidinha e o seu papel parental ficar enterrado com o passado.
 
Sabiam que, por exemplo, se relativamente às visitas do pai, for acordado pelos dois progenitores que esta será em fins de semana alternados (o que, na prática, significa duas visitas mensais), o tribunal não tem meio de obrigar o pai a fazê-lo mais vezes, ainda que por manifesta conveniência da criança?
 
E sabiam que no caso de concordarem com uma pensão de alimentos que mais tarde venha a revelar-se insuficiente, terão que recorrer aos tribunais fazendo prova dessa insuficiência? Atendendo aos atrasos judiciais, verão, com muita sorte, a pensão aumentada ao fim de decorridos uns três anos.
 
Quanto a um eventual imóvel conjunto, ainda que acordem a venda do mesmo, esta pode não ser realizada dentro do prazo previsto, o que pode implicar uma invasão à vossa privacidade caso continuem a habitar lá.
No caso de não haver um consenso quanto aos principais pontos do chamado “Acordo Amigável”, é sempre preferível partir para o litígio ou fazer uso de um serviço público chamado Mediação Familiar.
 
Vale tudo menos hipotecar o vosso futuro e o futuro dos vossos filhos.

 

 

4 comentários

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    AL 27.02.2008 16:11

    Não é dureza, é a realidade.

    As mulheres ficam com os filhos, eles ficam com o futuro disponível e isso explica porque é que após o divórcio há mais homens a refazer a vida com outra pessoa.

    Nas circunstâncias do divórcio, a lei é muito machista, pois é mais favorável aos homens e infelizmente, há muitos que se aproveitam desse facto para fugirem às suas responsabilidades relativamente aos filhos... mas sabes uma coisa? A longo prazo são eles que ficam a perder!



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    Um divorciado 28.02.2008 01:23

    É engraçado ver que que de vez em quando se usa e abusa do termo sociedade machista. Reconheço que na maioria das vezes é empregue com justiça. Agora nestas situações a minha modesta opinião é que temos uma sociedade que protege a mãe. Pergunto-vos quantas vezes é que a custódia dos filhos é entregue ao pai? Um pai que é Pai, adora os seus filhos tanto como a mãe. E nada lhe custa mais do que saber que deixará de acompanhar as suas vidas de perto. Tentem colocar-se do outro lado (assumindo que do outro lado existe alguém tão responsável como vós e que também adora os seus filhos e tudo faria por eles).


    Sei que os há por aí, que se descartam das suas responsabilidades, que choram por qualquer tostão extra que tenham de pagar e que fazem um frete quando são obrigados a ficar com os filhos. Mas esses não os podemos de apelidar de Pais. São apenas criaturas que biologicamente contribuiram para criar vida.
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    Carlos 13.06.2011 19:28

    Revejo-me nas suas palavras... e até diria mais, podiam levar tudo eu só queria tal como tenho feito desde o nascimento até ao presente momento acompanhar e ensinar tudo o que sei aos meus filhos. Não sei como será e se conseguirei suportar a destruição de um sonho. Há mais fóruns ", "blogs", etc , sobre este tema criadas ou dirigidos pelo sexo feminino que tal como a lei o amor de pai não é tido em conta e observar este tipo de comentários leva a crer que após o divórcio só existe um problema... o ex companheiro , pai ausente, alegado incumpridor, o indisponível . eu também gostaria que a longo prazo ninguém ficasse a perder mas são os filhos que se separam do pai e não há lei que altere este estado de coisas. Sociedade machista... antes fosse, com esse problema posso eu bém.
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