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Diário de uma divorciada

Diário de uma divorciada

12.Mar.07

Há noites assim

A noite é companheira. Todos dormem, todos estão a sós com ela...
Eu, no meu vazio, desenho um par de braços estendidos onde irei repousar e esconder-me do mundo, só até amanhecer. Braços fortes, invisíveis, que esperam apertar alguém como quem guarda o dia e o arruma...
Tantos mundos se encerram em mim, tantos mundos eu trago comigo e tantos mundos se fecham dentro do mundo que sou...
Já não espero por ti, já não espero por ninguém, porque se eu sou só, tu és só sem mim e por isso já não sinto a urgência de te dizer que não aguento o passar do tempo sem o calor do teu abraço, sem o calor do teu corpo, sem os teus lábios molhados encostados aos meus entreabertos a receber o teu hálito quente como a noite, sem a tua voz terna e segura sussurrando palavras a embriagar-me os sentidos...
Há quanto tempo que não ouço uma chave a abrir a porta do meu silêncio e a provocar-me um sorriso de paz...
Há quanto tempo a porta e o teu lugar sempre morno e eu não sinto a tua mão...
Há quanto tempo te procuro nos sonhos e me aconchego aos teus braços abertos que nunca se fecham...
Há quanto tempo... há quanto tempo é noite a apagar-me o cansaço, noite sem pele e sem espera e só o meu cheiro...