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Diário de uma divorciada

Feliz dia dos divorciados!

O título deste post é só para enganar ou talvez não.
 
Ok, a culpa é do comércio. Por muito que se tente, é impossível ficar-se indiferente a tantos corações, e postais, e ursinhos ridículos. Tudo feito à medida dos amorosos casais. A nós, os outros, só nos restam duas opções: ou fechamos os olhos e esperamos depressa que este dia passe, porque “afinal, é um dia igual aos outros” ou entramos no jogo e aproveitamos também para celebrar.
 
Ah, pois! Quem foi que disse que apenas quem está “in love” pode celebrar o amor? Tanto quanto se saiba, não existe nenhuma lei escrita a dizer quem pode ou não participar na festa. A própria felicidade é uma menina (tinha que ser!) solteira e nem por isso fica de fora.
 
Acredito que muitos casais entrem nesta onda de romantismo apenas porque cai bem ou pelo dever de colaborar com o socialmente imposto, mas acredito, igualmente, que alguns vivam “mesmo” este dia e aproveitem para festejar a verdadeira paixão. Todos nós já passamos por isso ou estamos a passar.
 
Já muito te teorizou acerca da paixão e do que é estar-se apaixonado. Eu mesma cheguei a achar que a maturidade e a paixão seriam incompatíveis, pelo menos até a minha amiga Elizabete, que por acaso até é psicóloga e que, talvez por isso, tem a mania de nos pôr a pensar, me bichanar que existem muitíssimas pessoas que se apaixonam no alto dos seus cinquenta, sessenta e até mais anos. Portanto, minhas queridas amigas e amigos, para quem sonha estar de novo apaixonado, nem tudo está perdido, pois quem sabe o que a terceira idade nos reserva. Sentir novamente o coração a pulsar forte só de ouvir aquela voz trémula, andar com os pés nas nuvens e com um sorriso pateta no rosto que não se consegue disfarçar... Já imaginaram!? E com o bónus acrescido de não provocar inveja ou irritação a ninguém porque “coitados, estão senis, é da idade” – Ai, não!
 
O São Valentim celebra o nobre sentimento e só fica indiferente a ele quem já morreu para a vida e (caramba!) eu ainda estou viva! Só por isso, este ano, decidi não deixar este dia passar-me ao lado; resolvi que alguém haverá de bater-me à porta e fazer-me uma entrega: vou encomendar um menu especial para dividir com a minha filha, o meu gato e, quiçá, um amigo ou amiga “desprogramado/a” que apareça cá por casa. Porque o amor tem muitas formas, mas as velas deste jantar especial vão arder em forma de coração, aromatizadas com cheirinho a hoje e a amanhã. Não faltará também o champanhe, um autêntico francês, para brindar...olhem, à Vida!
 
Feliz dia dos namorados e (porque não?) dos divorciados, solitários, independentes e afins!
 
Um brinde à paixão e a todos os amores (aos que passaram e aos que estão para vir)!
 
E um brinde especial à doce e lúcida loucura do nosso livre arbítrio!
 
 

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