Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Diário de uma divorciada

Diário de uma divorciada

11.Mar.07

Conversas de Esplanada

-         O Pedro desapareceu!!
-         Sim. E então?
-         E então!? E então que é o terceiro gajo que me foge no espaço de dois anos! Acho que é desta que vou para um convento. Estou farta! Não vale a pena: são todos iguais!!
-         Deixa-te de lamúrias, Sara! Tu sempre me disseste que ele não era o teu homem ideal...
-         Está bem, mas isso foi ao princípio, quando eu ainda estava muito magoada por causa do meu caso mal resolvido com o Francisco. Depois, não sei, fui-me habituando a ele; aos seus telefonemas insistentes; à sua voz quente, aos seus mimos... Ele teve que penar muito para me convencer, tu sabes. E agora, quando eu finalmente, me rendi, pufff! Desapareceu! Traiu-me! Achas isto normal!? Eu afugento-os a todos!
-         Sabes, Sara, talvez quem te tenha traído tenha sido o teu medo.
-         O meu medo...
-         O teu medo de te envolveres tornou-te uma mulher difícil e uma mulher difícil é sempre um desafio para qualquer homem, seja ele bem ou mal intencionado.
-         Essa das intenções também tem muito que se lhe diga!
-         Se tem!!
-         Com o Francisco foi diferente. Esse, pelo menos, disse logo ao que vinha: amizade colorida. Era pegar ou largar. Tive que pegar, pois claro! Nem sei o que me passou pela cabeça quando entrei na dele, mas acho que nessa altura, tudo o que precisava era de sexo sem compromisso. Mal eu sabia que ia acabar por querer casar-me com ele.
-         Se tivesses casado com ele, nunca terias conhecido o Pedro.
-         Antes não tivesse! Filho da mãe! Quem é que ele julga que é!?
-         Talvez um príncipe...
-         Um príncipe não tem pregas de gordura nas costas!
-         Ah ah ah! Olha que bem vestido como sempre andava, até a mim me enganava.
-         Bem vestido. Pois, pois... E usava sapatos com meias-solas!
-         Credo, Sara!! Que sovina!
-         E se vivia bem! E nos meus anos ofereceu-me um colar de pechisbeque.
-         E foste tu gastar aquela pipa de massa na gravata de seda para lhe ofereceres no Natal! Dahaa!
-         Acredita! Sou mesmo parvalhona!
-         Só porque não lhe pediste a gravata de volta.
-         Nem mais. Podia aproveitá-la para oferecer ao próximo desgraçado que me venha com cantigas!
-         Próximo! Tu disseste “próximo”!! Já estás boa, vês!?
-         Então não vejo...
-         Esquece! Aquele que ali vem é o Tiago e já tem dona, ok?
-         Há cabras mesmo com sorte!