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Diário de uma divorciada

Diário de uma divorciada

10.Jan.08

A Amiga Alcoviteira

Ter que definir prioridades na minha vida nem sempre é fácil, sobretudo por não ter com quem dividir as responsabilidades da filha nem da casa, mas também não é um bicho-de-sete-cabeças e eu cá me vou arranjando. Tenho uma agenda de papel, doméstica, onde vou anotando todos os meus compromissos por dias e por hora. Um visto verde nas coisas que vão ficando feitas e uma cruz a vermelho nas que ficam por fazer e que transitam para o dia imediatamente a seguir. Todos os dias a agenda tem tarefas. Ele é marcar uma consulta no médico, fazer compras, pôr um casaco na lavandaria, mudar a areia do gato, passar a limpo uns apontamentos, pagar a inscrição do ginásio… e isto tudo em período pós-laboral.
Os fins-de-semana são os dias em que, por norma, estou mais livre mas ainda assim, por vezes, tenho que desdobrar-me entre levar a minha filha ao cinema, ir à reunião do condomínio, ir à reunião da escola, festejar o aniversário de uma amiga e ainda tratar das roupas, da casa, etc.. Muitas vezes tenho mesmo que dizer NÂO a alguns programas e toda a gente acaba por entender que não é má vontade.
Toda a gente excepto a Sara:
- Ana, eu não sei como é que tu aguentas esse ritmo! Já reparaste que estás sozinha porque não há mais espaço na tua vida? Quando queremos dar conta de tudo ao mesmo tempo alguma coisa tem que ficar para trás. No teu caso, estás a deixar o amor para trás. E, o pior, é que nem páras para te dar conta disso!
- Oh, Sara, o amor não precisa de tempo, o amor vive dentro de nós e tem várias formas; tudo aquilo que faço, faço com alegria, são as funções que tenho nesta minha vida e é isso que dá sentido à mesma. É assim tão difícil de encaixar!? Além disso, sabes bem que sou uma pessoa divertida. Ninguém precisa de estar apaixonada para se divertir e nós até temos um grupo porreiro e até nos divertimos bastante. Ou não!?
- Não mudes de conversa! – cortou-me a Sara.
- Não estou a mudar de conversa e sei bem a que tipo de amor te referes, mas enganas-te quando pensas que o deixei para trás; para mim ele já esteve presente no passado e irá novamente estar presente, algures no futuro. Se calhar é por isso que não me dou conta dele porque ele está um bocadinho mais à frente…
- Tens sempre a resposta na ponta da língua, ma eu tenho um programa para sábado que acho que vais gostar: marquei um jantar com o Rui e ele vai levar um amigo, o Miguel, aquele borracho de que já te falei.
Era forçoso. Tive que fazer acompanhar a minha resposta do meu olhar n.º 5 (o desencorajador):
- Negativo! Este fim de semana ninguém me arranca de casa porque tenho que estudar para o próximo exame!
- Tanto estudo, tanto estudo… Qualquer dia ficas com os fusíveis (ainda mais) queimados! Nem sabes o que perdes. O Miguel é um “pão” e ainda por cima está descomprometido.
A bem dizer, eu adoro a Sara, mas detesto as suas alcoviteirices. Tenho que ter uma conversinha séria com esta menina, coisa que não dá para anotar na minha agenda de papel doméstica porque tenho mesmo que estar inspirada, mas ela não perde pela demora!
Passou-se!! Agora a impingir-me gajos!? Então mas eu lá cheguei a esse ponto!?
Era o que mais faltava!!
Já agora…!

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