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Diário de uma divorciada

Diário de uma divorciada

19.Dez.07

Diz que é Natal

O Natal já não é o que era. Pelo menos nas cidades grandes e arrabaldes. Parece que a magia do mesmo foi toda transferida para as luzinhas que piscam nas lojas, especialmente as de informática, telemóveis e afins.
O Pai Natal já não deixa as prendas na chaminé. Primeiro porque nem todos os meninos têm chaminés e segundo porque entre miúdos e graúdos, os presentes são muitos e ele já está muito velhote e não dá conta do recado. Não tarda muito, estamos a ver o Pai Natal reformar-se e a ser substituído por uma mascote interactiva numa qualquer nova versão da Play Station. Aliás, até me admira como é que ele não criou ainda uma página na internet a anunciar o seu lançamento (!?)
E é ver as famílias-maravilha  a encher os corredores dos hipermercados: o gajo atrás, corcovado e barrigudo e ela a exibir a cabeleira loura de pontas secas e raiz às cores. As crianças a fazerem birra por causa dos brinquedos e a minha paciência a esgotar-se mais que as prateleiras dos After Eigths.
Nos Centros comerciais, o cenário não é muito diferente: toda a gente se acotovela nas lojas de tudo o que é considerado supérfluo o resto do ano (parece incrível, mas, nesta altura, até as livrarias estão à pinha). Há que comprar presentes para todos. Até aquela colega de trabalho velha e chata tem direito a uma velinha com aroma.
Os restaurantes estão a abarrotar de turistas do décimo terceiro mês e não há um único lugar para uma pessoa se sentar. Estacionamentos, é mentira: estão todos vagos mas é nos bairros residenciais.
Ah, que saudades de fazer as figuras de barro para o presépio da minha escola, e de ir apanhar musgo aos barrancos, e de forrar o vaso da árvore de Natal com papel prateado e de salpicar tudo de algodão e farinha para parecer neve!
E que saudades de ajudar a minha avó a fazer os arranjos natalícios para decorar a mesa, e de rir a bandeiras despregadas  ao ver o peru bêbedo a ir contra os armários da cozinha velha; e de ir cortar o pinheiro ao campo, e de roubar os chocolates da árvore, e do coração a bater forte à medida que se aproximava a noite mágica!…
O Natal de agora caracteriza-se pelo consumismo desenfreado que se intensifica ainda mais quando se aproxima a data. Até as lojas disponibilizam, agora, um horário alargado para dar hipóteses a todos os clientes de cumprirem o seu dever natalício que é o de fazer disparar as vendas, cujos lucros estão já contemplados no seu orçamento anual.
Nem presépios de barro, nem anjinhos de papel celofane.
Diz que é Natal…
 

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