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Diário de uma divorciada

Homens com Lágrimas

Que os homens também choram já todos nós sabemos, mas há uns mais sensíveis que outros.
Existem dois tipos de choro: o primeiro trata-se do choro desesperado como reacção a uma frustração ou contrariedade em que uma pessoa sente pena dela própria e o segundo é o choro libertador que serve para lavar a alma. Sou pouco tolerante relativamente ao primeiro, mesmo que parta de uma criança. Quanto ao segundo, sou capaz de ficar ali, em silêncio, porque este é um pranto muito íntimo e que requer solidão.
O meu primo Luís é um homem feito que sofre por amor. É verdade! (e desenganem-se todos aqueles que pensam que isso são coisas de gajas). Ele sofre e até aqui tudo bem. O pior é que o sofrimento, agora, vem acompanhado pelo tipo de choro número 1.
Estranhei um desabafo que lhe saiu dizendo que estava a sentir-se usado por uma mulher. Eu confesso que desconhecia o termo “usado” na versão masculina e arregalei os olhos para lhe devolver o vocábulo na forma interrogativa:
“-  Usado???”
“ -  É que ela só me procura quando se sente carente. Fazemos sexo e, de seguida, desaparece por uns tempos…”
“- Ora, Luís, mas eu já ouvi falar disso. Chama-se queca mágica” – Gracejei (não sei como é que ainda há quem me leve a sério, pois tenho sempre que temperar com uma graçola os piores momentos, mas a intenção é boa e quem me conhece já sabe que sou assim)  – “Se te sentes mal, afasta-te e pronto!”
E ele, quase, mas quase a fazer beicinho:
“- Não consigo! Eu já tentei, mas ela acaba sempre por procurar-me e eu não consigo resistir porque gosto mesmo dela.”
“- Então, nesse caso, faz por aproveitar os momentos bons e não penses no que vem a seguir. Talvez um dia ela perceba a pessoa maravilhosa que és e decida ficar. Se não, quem perde é ela!”
“- Pois, mas… o que é que tu achas? Vá lá, ajuda-me!”
“- Eu!? Como é que eu posso ajudar-te!? Eu conheço-a mal e não sei até que ponto ela saberá que te sentes assim… usado.”
“- Não deveria mostrar-me demasiado sentimental à frente dela, não é!? Estou a dar parte de fraco!?”
“- Sabes, Luís, é preciso uma maturidade imensa e um grande arcaboiço emocional para se compreender as lágrimas masculinas. É suposto vocês serem “o elo mais forte”… Se na vossa relação não há cumplicidade, é provável que ela não compreenda…”
“- Achas!?  Tu és mulher e compreendes.” E olhando-me com uma sombra de dúvida: “ Não compreendes?”
“- Sei lá. Olha, se calhar até nem compreendo. Lembras-te quando o tio Paulo caiu num pranto pegado, depois de se embebedar, tudo porque a tia Maria da Luz fugiu com aquele puto!? Nós ainda éramos adolescentes e eu lembro-me que, naquele momento, me senti mais perdida e confusa que um rato no meio da Amazónia!! Caramba, afinal, tratava-se do tio Paulo e o tio Paulo era um herói para nós!” – Fiz uma pausa. Cada vez que penso naquele momento, tenho vontade de esconder-me. Felizmente, o tio Paulo acabou por recuperar e hoje é um homem de sucesso a todos os níveis, mas aquela memória dele ainda me incomoda um bocadinho. Que estranho!
“- Não sei, priminho. Talvez seja melhor tentares regular essa tua sensibilidade exacerbada. Sim, é o melhor para ti. Se não conseguires moderar o teu comportamento, pelo menos que deixes de vitimizar-te, pois é apenas isso que te faz sofrer.”
E foi o fim da conversa. Não sei se ele ficou a procurar motivação a relembrar a fraqueza de espírito do tio Paulo ou a pensar que teria sido melhor não me contar nada. Só sei que, ultimamente, não o tenho ouvido lamentar-se. Eu, por meu lado, descobri mais uma razão para perceber porque é que tendo sempre para os homens demasiado racionais. Quem sabe isto não seja a chave para um futuro amoroso mais risonho e promissor…

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