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Diário de uma divorciada

Diário de uma divorciada

04.Dez.07

Um Cheirinho a Natal

Muitas casas da cidade grande e arredores ficam mais habitadas nesta altura do ano. Faça frio ou chuva, as mães lá da terra, vestidas com as suas batas de cerimónia, vêm abrir as janelas, logo de manhã, para arejar as casas.
 
As mães provincianas já estão quase todas viúvas. Os seus homens reinaram sobre elas até à morte deixando no seu lugar a solidão e o vazio. Já lá vão os tempos em que o Natal cheirava a filhoses e a lenha queimada. A casa grande está agora fechada e fria e as mães provincianas vêm resgatar o Natal na cidade, entre os risos dos netos e bisnetos, das luzinhas que piscam e dos embrulhos enfeitados com papel de todas as cores, esperando e contento aquela lágrima nostálgica que há-de cair à meia noite, na noite de Natal.
 
Procuram nos lares citadinos dos seus filhos e netos, o calor natalício (que agora cheira a Calvin Klein e Ferrero Rocher), um lugar para se sentirem úteis nem que seja só por uns dias; uma ocupação, como abrir as janelas de manhã até as luzinhas se apagarem e regressarem para o seu canto a reviver memórias.

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