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Diário de uma divorciada

Diário de uma divorciada

28.Nov.07

Amigas Para Sempre

Encontrei uma amiga que já não via há muito tempo. Lanchamos juntas, falamos um pouco das nossas vidas e, às páginas tantas, ela vira-se para mim e diz-me que estou diferente, que estou mais fria e distante e aconselhou-me a olhar bem para dentro de mim, pois aquela Ana emotiva e sentimental que ela conhecera ainda deveria existir algures…
É curioso porque o tempo passa e não nos apercebemos do que ele vai fazendo por nós a nível psicológico. Para mim é tudo uma questão de evolução, é assim que vejo os meus momentos. Seria bom conservar a ingenuidade característica da adolescência, seria bom lançar-me à vida com as expectativas próprias de quem ainda não sabe como é que é, mas seria, igualmente, muito inadequado e irresponsável, se não impossível.
Mudamos sempre e achamos que para melhor (eu, por exemplo, tenho muito maior amor-próprio agora do que quando tinha 15 anos) e essa mudança é natural, faz parte, é uma questão de sobrevivência. O homem também se adaptou através dos tempos e só assim foi possível evoluir.
 Acontece com os amigos o mesmo que se passa com os amores: alimentamo-nos muitas vezes das suas recordações e inspiramo-nos muitas vezes nessas memórias para nos irmos aguentando;  lembramos aqueles que nos foram queridos tal como eles eram no momento em que, por uma qualquer razão, deixaram de ser uma presença assídua no nosso quotidiano. Longe deles, vamos construindo o nosso caminho, fazendo face às adversidades, sorrindo a cada conquista e recebendo as circunstâncias como se o mundo apenas tivesse continuado a existir para nós e apenas em nós produzisse efeitos e alterações e eles, esses outros que já fizeram parte da nossa vivência prática, lá tivessem permanecido completamente imutáveis, no exacto local onde os deixamos.
Numa coisa, esta minha amiga tem razão: “a amizade é um amor que nunca morre”. Contudo, tanto um como outro, para que se mantenham, têm que compreender e aceitar as mudanças ou perde-se a sintonia e arriscamo-nos a viver num passado onde nos mantemos prisioneiros e tudo o resto deixa de fazer sentido.

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