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Diário de uma divorciada

Diário de uma divorciada

22.Out.07

Não há Solidão na Amizade

Fim de semana de Outono. Ainda há quem dê um mergulho no mar e apanhe banhos de sol. Sentada na esplanada em frente à praia, fico ali a ver quem passa. O jornal pousado sobre a mesa. A minha cabeça está longe, o meu corpo está a regressar a si após um projecto de amor interrompido. Não me apetece que me dirijam a palavra, não me apetece que falem comigo, não me apetece estar com ninguém. Só eu e os meus pensamentos vagos, marcados por uma saudade, uma espécie de nostalgia que invade todo o meu ser. De repente, como um robô telecomandado, pego em mim e dirijo-me de regresso a casa, ao meu ninho; de regresso ao meu conforto e segurança.
O gato roça-se nas minhas pernas, o telefone toca e eu ignoro-o. Fecho os olhos. De olhos fechados o mundo parece-me mais leve… adormeço.
O toque insistente da campainha acorda-me já quase ao fim do dia: é o meu amigo Rui: “Ana, abre a porta, tenho aqui uns convites para uma festa privada no Lux!” _ carrego no botão sem uma palavra e volto para o sofá. Ele lá entra, todo esbaforido, com o seu entusiasmo quase infantil que às vezes me chateia “uma beca”: Ó Rui, isso lá são maneiras de acordar uma pessoa!? Deixa-me cá estar sossegada que eu hoje estou fechada para balanço! Convida a Sara ou o Simões! Hoje não me apetece sair!” – Faço cara de amuada.
O Rui olha para mim de sobrolho arreganhado. Pousa-me a mão sobre a testa: “só podes estar com febre!!! “ – Comenta – “E é para amanhã!”
Conclusão: após quase uma hora a ouvi-lo relatar os malefícios da amargura, lá acabei por concordar em ir com ele à bendita festa. E sabem que mais!? Até me diverti um bocadinho.
 Felizmente que quando estou prestes a afundar a cabeça na areia, há sempre alguém que chega e que não me deixa tempo para ficar triste.
Benditos sejam os amigos!

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