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Diário de uma divorciada

Amar o Amor

O amor... de novo e ainda o amor... já o encontrei, por vezes passo por ele, ele sorri-me e eu nem tento agarrá-lo, precisamente porque o amor é livre, às vezes até pode ter “cara de lixo” como diz a Adriana Calcanhoto, mas não deixa de ser livre, é assim como o sol que não consegues agarrar e ainda que conseguisses não poderias, porque queima; e é assim como uma planta bonita que morre pelas mãos de quem a arranca do solo... Ai, o amor, o amor... o amor é a melhor forma de arte abstracta que existe.
Já percorri muitos caminhos, conversei com muita gente, perguntei ao vento, ao céu e ao mar que me contassem esse segredo tão bem guardado e a resposta que obtive foi sempre a mesma: o amor não se tem, sente-se... o amor és tu, sou eu... o amor é a vida.
Seria incapaz de conceber o mundo sem amor, mas por vezes, ainda que não possa escapar-lhe por tê-lo dentro de mim, ignoro-o, maltrato-o, tenho-lhe tanta raiva!!!! Frases como “tens um olhar meigo”; és muito bonita” ou simplesmente “és tão querida” deixam-me louca de ira!! É que as palavras doces provocam-me a ilusão de pendurar um quadro clandestino na parede invisível do tempo e assim sou obrigada a decorar a minha eternidade com as cores que outros escolheram...
 
É curioso como as pessoas mudam. Há uns anos atrás, quando ainda não tinha aprendido a amar o amor, costumava esconder-me, fugir de tudo aquilo que me emocionava; achava impossível gerir as emoções que os outros me provocavam; nesse tempo o mundo à minha volta era uma enorme floresta medonha cheia de olhares arregalados, bocas enormes e famintas à espera que eu me distraísse para ser reduzida a um farrapo de gente...até que aprendi “o momento” (aquele em que ou viramos as costas ou avançamos) e por detrás do momento um truque: encher até meio de entulho sentimental o poço das minhas inseguranças e olhar nos olhos dos predadores de sonhos dizendo: “Quem és tu? O lobo mau? Hmmm... o lobo mau não podes ser, que esse devorei-o inteirinho há uns tempos atrás!”...

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