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Diário de uma divorciada

DIÁRIO DE UMA DIVORCIADA - O LIVRO!:))

 

O Diário de uma divorciada está de volta sob a forma de livro. Uma selecção de textos e desabafos postos em papel, em jeito de manual de sobrevivência, com um invólucro moderno e leve que fica sempre bem em qualquer cabeceira.

 

Sei que muitos dos seguidores do Diário já esperavam por este momento há muito e acredito que estarão quase tão felizes quanto eu com mais este pequeno passo num percurso feito a muitos pés. Obrigada a todos os que acreditaram em mim. Obrigada pela força, pelas lágrimas e gargalhadas partilhadas e obrigada por terem tornado possível a concretização deste projecto. Um agradecimento também muito especial ao Miguel Pinto Ribeiro por ter feito o prefácio.

 

(…) Este livro contém muitas das suas reflexões e estados de alma. Páginas da vida de uma divorciada onde as lágrimas e o humor se misturam num cocktail de sentimentos provocadores: o medo do futuro, a luta pelo equilíbrio das contas e dos dias, o sabor da liberdade, a solidão da espera, a alegria das coisas simples… tudo descrito de uma forma inteligente e descomplexada a mostrar-nos que qualquer momento é o momento certo para recomeçar. (…)

 

 

A versão do Diário também em  http://www.bubok.pt/livros/4934/Diario-de-uma-divorciada

Até enjoa!

 

Para quem está só, o dia dos namorados é, provavelmente o pior dia de festa a seguir ao Natal. Ainda por cima este ano calha a um Sábado, o que é uma agravante, pois durante a semana a malta está a trabalhar, chega a casa cansada e até se esquece da quantidade de totós com ramos de flores com quem se cruzou à hora de almoço.
Uma pessoa que sociabilize minimamente no dia mais ridículo do ano acaba sempre por sentir-se constrangida, como se estivesse à margem. Ir às compras, é melhor não, porque lá estará toda a gente a mandar fazer os embrulhinhos; sair para almoçar, jantar fora ou ir ao cinema, ainda pior; e nem vos passe pela cabeça ir para a” night” ou ainda vos falta o ar com tantos coraçõezinhos por metro quadrado.
Resumindo: façam o que fizerem, não saiam de casa, a não ser que seja para ir para casa de outros deserdados do amor, isto é, se encontrarem algum…
O que este raio de sociedade inventa para nos marginalizar!

Dias Felizes

Estive uns tempos fora a descansar e a arejar as ideias mas já estou de volta. Foram umas férias muito precisadas e (acho que) bem merecidas.

 
Às vezes recarregar baterias é necessário. Seguir em frente, sempre, mas por vezes há que voltar um pouco atrás para perceber onde íamos exactamente para retomar o fio à meada. De forma que aqui estou eu, conta-kilómetros a zero, pronta para mais um ano, mais um passo, mais um pouco de luz no meu/vosso caminho.
 
O meu gato engordou, o fórum cresceu, o que, na prática, significa que as minhas duas casas continuam a abrir e a fechar portas: gente que entra, gente que sai, gente que passa, gente que fica; gente que não quer quedar-se para sempre, mas que também não sabe como partir, tal como eu, aqui... O Diário já vai longo, mas não tenho coragem de encerrá-lo com o previsível "The End". Não sei se por mim, se por quem ainda aqui vem ler-me, se pela própria causa aqui tratada… Talvez por todas estas razões juntas.
 
A verdade, mesmo verdadeira é que me sinto tão bem aqui que me apetece continuar... Um dia destes ainda arranjo outro blog, sei lá, sobre filosofia de almanaque ou sobre política. Por enquanto não me apetece.
 
Feliz 2009 a todos!
 

Natal

 

É de novo Natal; a neve já caíu na serra a anunciar o frio que nos faz procurar o aconchego do lar. As luzinhas coloridas continuam a piscar nas janelas das casas de família; naquelas para quem o Natal é a magia dos presentes, mas também a união, a festa da confraternização. O Pai Natal barbudo está mais magro este ano, devido à crise. Mas a crise não pode ser tão má ao ponto de deixar de haver Natal. É claro que vai haver Natal! E um Natal com um pai rejuvenescido, mais esbelto! Upa, upa!
 
Não fiquem tristes aqueles que este ano não podem estar com os filhos na “noite mágica”. Afinal, os miúdos já sabem muito bem que existe um pai e uma mãe de um lado e os presentes de outro. A magia não pode perder-se com o consumismo. Aliás, a  verdadeira magia natalícia é o AMOR. As crianças precisam de amor para crescerem saudáveis. Uma criança não é um pinheiro que cresce aos cuidados da natureza; uma criança é um ser que necessita de carinho, atenção e referências, dentro e fora de casa, mas sobretudo por parte dos pais que são os responsáveis pela sua existência.
 
Neste Natal, decidam deixar de ter pena de vós próprios só porque as vossas crianças não estão convosco na noite de Natal. Afinal, para que é que servem os amigos e a restante família? Celebrem com eles, é Festa! Não podem dar presentes, não dêem. Quem vos disse que as pessoas precisam de presentes? A maior parte delas, necessita apenas de carinho e compreensão, tolerância e paciência. Afinal, somos todos humanos.
 
Ainda estão a tempo de compensarem a ausência do(s) vosso(s) filhos na noite “N” dando uma volta aos armários lá de casa. Sintonizem-se com a vossa consciência social e libertem-se do passado, oferecendo o que não vos faz falta a meninos e meninas realmente pobres, sem parentes que olhe por eles. Façam uma pesquisa de instituições de solidariedade social na zona onde residem. Nunca, é tarde demais! Também podem descobrir as datas de aniversário de crianças que habitam em instituições de solidariedade social na vossa área de residência e irem lá oferecer-lhes um presente nos seus dias natais, que são os dias em que cada um nasce.
 
Importante, importante é celebrar a vida! Todos os dias, um dia de cada vez. Amanhã é tão somente o dia  que será melhor.
 
Festas Felizes e coloridas para todos!

Em nome do Pai...

 

Há palavras que transportam em si um poder indestrutível, uma ideia incontestável; que encerram um sentido absoluto, sagrado, até. A palavra “pai” é uma delas, assim como a palavra “mãe”. Tanto uma como outra, são compostas por três letras; tanto uma como outra, emanam uma grandiosidade plena e encerram nelas uma noção de obrigação moral inata: “Deus é Pai”, “não há Pai para ele”. Pai é força, é guia.
Mãe. Mãe é dor, é parto, é sofrimento, é perdão. “Mãe é Mãe”.
 
É este o pano de fundo, é com base nesta raiz cultural que muitas mães, que sabem sê-lo (ou acham que sabem) lutam, teimosamente, há décadas, nos nossos tribunais, pelo direito dos seus filhos a terem um PAI, para além do biologicamente possível.
 
Pensemos um pouco: o que é ser Pai? Qual o significado real desta palavra, para além da moralmente enraizada na nossa cultura? Na verdade, Pai é aquele que contribui com uma semente sua, uma sua célula para dar seguimento à vida. O “pai-como-deve-ser”, aquele que participa e cumpre tanto quanto deve participar e cumprir na vida dos seus filhos, o que os acompanha e o que o faz por amor, esse não é obrigatório que exista. Aliás, nem mesmo a Mãe é forçoso que o seja, para além dos nove meses de gestação que a natureza lhe impõe, mas concentremo-nos agora no papel de “Pai” por que muitas mulheres continuam a debater-se na justiça portuguesa.
 
Gostava de apelar, por um momento apenas, à racionalidade de todas as mães “em guerra” por este país fora, pedindo-lhes, quanto mais nem seja, um minuto de silêncio, o mesmo minuto solene que se dedica a uma alma que parte, para olharem para dentro de si mesmas e reflectirem acerca do sentido das suas batalhas.
 
Mães: se é apenas uma questão material, é possível que a justiça resolva. Se é por isso que se debatem, talvez mereça a pena tentar. Na verdade, os tribunais podem obrigar um pai a pagar uma pensão de alimentos, a contribuir monetariamente para a educação dos respectivos filhos, mas é só. Quer isto dizer que se esperam que a justiça possa resgatar para as vossas crianças os restantes supostos direitos que lhes pertencem e que são “obrigação de pai” esqueçam, a justiça não pode. O poder, neste caso, reside dentro de cada pessoa, da sua própria convicção e valor humanos. Esse sim, é o poder absoluto, intrínseco: a noção de dever moral e o sentimento de responsabilidade, o poder da razão. Nunca este poder pode ser imposto por leis.
 
Pensem um pouco. Sejam coerentes com a vossa inteligência e com o vosso próprio papel de mães: acreditam mesmo que vale a pena? Recuem um pouco atrás. Reflictam. Tem valido a pena? Imaginam quantas crianças de ontem são hoje homens e mulheres que cresceram sem um pai que olhasse por eles, que os acompanhasse, que os guiasse na vida, que os amasse acima do seu próprio ego? Têm noção de quem são hoje essas pessoas? Das dificuldades que tiveram e têm de se afirmarem e aceitarem?
 
Reparem, se o pai dos vossos filhos não souber ser “Pai”, a culpa não é vossa! É inútil lutar e ninguém vos atribuirá uma medalha de mérito só porque tentaram. Amanhã, também os vossos filhos serão homens e mulheres. Muitos, serão órfãos de pais vivos que não quiseram saber deles, e serão também, e em simultâneo, não os “vossos” filhos, mas os filhos da mãe, da mesma mãe que os deu à luz e depois os lançou na escuridão de se sentirem rejeitados pela própria natureza dos homens que lhes negou o “pai a que tinham direito”. Pela vida fora, esses homens e essas mulheres idolatrarão uma figura paternal ilusória e irreal fundamentada pela percepção de justiça da sua própria mãe (ou qualquer outra que a represente).
 
Nem precisam ter consciência de toda esta problemática, “mães batalhadoras”, não precisam chegar tão fundo numa chaga social que dói pelo corpo todo. Basta apenas que pensem: até que ponto será justo atribuir à própria justiça a regulamentação de consciências?
 
Mais depressa a ciência agiria sobre o espermatozóide.

Associação Virtual de Divorciados

 

Este blog existe há já algum tempo. Aqui chorei, desabafei, ri, partilhei, escutei e aprendi... Através deste espaço, comecei a dar-me conta que, afinal, a minha realidade era comum a muita gente. O divórcio é um percurso que começa dentro do próprio casamento e se arrasta até muito depois de ocorrer a separação efectiva. Normalmente, culmina na sensação pessoal de liberdade, alívio e até um certo orgulho. Mas demora tempo, por vezes demasiado tempo, até se chegar ao outro lado da ponte. Uma ponte que, enquanto é atravessada, vai ameaçando ruir, agitando-se com as tempestades de burocracias, suspensa por lágrimas e sentimentos de frustração e insegurança face ao futuro. Mesmo quando é o outro que parte e nos deixa a sós com a tempestade de dúvidas e incertezas, sem ninguém para partilhar a culpa a meias.
O divórcio, para mim, deixou de ser uma questão pessoal, à medida que fui recebendo comentários e e-mails de gente anónima à procura de um apoio, de uma palavra amiga, e a perguntar-me: PORQUÊ? Oh, meus Deus, se eu soubesse, se eu tivesse respostas…!! Quer dizer, eu tinha-as (tenho-as), as que colhera da minha própria experiência e dos livros de psicologia e sociologia, mas isso parecia um grão de areia insignificante, que não chegava para encher uma só mão estendida e tão vazia.
Embora nunca negasse o conforto e o alento a quem me procurava, houve um momento em que achei que era preciso mais qualquer coisa, não sabia bem o quê, mas tinha que existir algo mais que eu pudesse oferecer a quem me abria as páginas da sua vida e me iluminava as páginas do Diário, à procura da sua própria luz. E assim surgiu, naturalmente e no momento que é sempre perfeito para quem se encontra numa encruzilhada, o Fórum Divórcio.
O Fórum foi crescendo a um ritmo alucinante e o que julguei ser apenas uma pequena assoalhada deste blog, tornou-se uma coisa muito séria, de proporções gigantescas. Afinal, o divórcio é mesmo um problema social e pessoal de peso, a pedir urgentemente uma solução! Tantas histórias de vida, tanta gente a querer partilhar as suas experiências, tantas dúvidas, tantas incertezas relativamente a tudo o que envolve uma separação... Fiquei pequenininha, encolhida, esquecida de mim e daquilo a que costumava chamar “os meus problemas”, perante tamanha necessidade de afecto, amizade e compreensão; perante a solidão das pessoas que enfrentam um divórcio ou separação. Tornei-me atenta e desenvolvi a sensibilidade de distinguir a forma de quem chora e transborda de pranto num sorriso, observando a maneira como cada qual luta para manter-se de pé. Muitos conseguem erguer-se de facto (pelo menos aparentemente), mas há outros que ficam muito tempo inertes, perdidos e confusos, sem encontrar uma saída.
A sociedade prepara-nos para “ser alguém”; para sermos bem-sucedidos (materialistas, portanto); impõe-nos o direito ao ensino básico, tal como nos impõe a construção de uma família baseada na santíssima trindade, assente numa religiosidade de moral duvidosa. Não há espaço para os outros, a própria palavra “família monoparental” (designação dada às famílias formadas pelos filhos e um só dos progenitores), é referida em livros oficiais de Psicologia Social como sendo uma “anomalia”, e as estatísticas (bastante ultrapassadas e raramente nacionais) usam os números dos divórcios como um sinal de alarme, numa tentativa de chamar a atenção para uma parte da sociedade doente ou em crise.
Ninguém nos ensina a lidar com uma separação, ninguém nos prepara para viver bem na solidão, para viver bem enquanto pessoas, bem enquanto nós mesmos, para viver, simplesmente… Quando não se aceita, não se respeita; ignora-se e arruma-se ao canto, numa caixa fechada, guardada e esquecida, na sala escura da “tolerância”. Na realidade, ninguém quer saber do divórcio para nada, a não ser quando o mesmo lhe bate à porta.
O que fazer, então? Virar as costas ao “estigma” como se ele não existisse? Como se nos fosse completamente indiferente o facto de nos tornarmos marginais?
Os problemas geram necessidades de respostas e, uma vez mais, dei por mim a pensar que, provavelmente, o Fórum, só por si, é importante mas não é suficiente para face à grande problemática social que uma separação ou divórcio acarreta. E assim surgiu-me uma outra ideia, desta vez ainda mais arrojada: a ideia de formar uma Associação Virtual de Divorciados. Porque não!?
Neste momento ando já a tentar fazer alguns contactos com advogados que, por enquanto, queiram participar no Fórum, de forma anónima e desinteressada, com uma rubrica dedicada a esclarecer dúvidas jurídicas relacionadas com os processos de divórcio e poder paternal, e que queiram dar o seu contributo para o desenvolvimento da futura Associação Virtual de Divorciados.
Para consolidar bem esta iniciativa, para além de advogados e psicólogos, gostaria também de contar com o auxílio de pessoas ou entidades com experiência em Associações ou que possam, de alguma forma, colaborar. Todos os apoios são necessários e muito bem acolhidos, pelo que quem estiver interessado em apoiar esta ideia e ajudar-me a pôr de pé este projecto, faça o favor de contactar-me por aqui ou directamente para o e-mail: a.leandro@sapo.pt.
Uma gota não molha, mas muitas fazem correr um rio…

Divórcio: fuga ou alternativa?

 

A leitura das estatísticas pode levar, pelo menos quem está de fora, a encarar o divórcio como um fenómeno banal, uma medida moderna usada como resposta automática a qualquer crise conjugal. Espero sinceramente que esta seja uma leitura errada.
Não sou defensora do casamento a qualquer custo, pelo contrário, considero que não faz sentido, especialmente nos dias que correm, as pessoas viverem infelizes seja sob que pretexto for. Não obstante, ainda acredito na família como um núcleo importante de sobrevivência que deve ser alimentado e consolidado. É importante que se perceba que nem sempre o divórcio é a melhor solução.
Quando uma relação conjugal não vai bem, são vários os sinais de alerta: a rotina, a acomodação, a intolerância relativa à convivência com os familiares do outro membro do casal, os problemas com a educação dos filhos, as questões do dinheiro, a questão da realização pessoal, etc. É preciso estar atento a todos os sintomas de “doença” de uma relação e agir sobre eles. A negligência relativamente aos mesmos e a atitude de “deixa andar” conduzirá a um crescente mal-estar pessoal que despoletará uma crise no seio do casal, embora as crises matrimoniais não sejam, necessariamente, más, elas também servem para colocar em cima da mesa um problema que tem que ser resolvido e ultrapassado a dois, de uma forma madura e responsável, sob pena de contaminar irremediavelmente a relação e conduzi-la à inevitável rotura nem sempre desejada.
Há muitas ferramentas a que deitar mão quando o alerta é dado, o diálogo ainda é a melhor de todas, mas podem tentar-se outras alternativas como a terapia de casal ou o combate da rotina através de actividades sociais conjuntas. Problemas concretos exigem respostas igualmente concretas.  Muitas pessoas divorciam-se por motivos que não conseguem identificar com clareza: quantas vezes uma pessoa não sente que tem tudo para ser feliz, que o outro é o marido/mulher ideal e mesmo assim sente que não está bem? Há problemas que residem na própria pessoa e não no casal em si. Seja como for, qualquer problema tem que ser, em primeiro lugar, bem questionado e bem compreendido para que possa ser resolvido, a dois ou individualmente.
Um divórcio é uma questão séria, uma hipótese que deve ser bem ponderada. Os divórcios compulsivos devem ser evitados a todo o custo, pois podem levar ao arrependimento e a uma frustração ainda mais difícil de gerir que a existente enquanto membro pertencente a um casal. Atenção porque é muito comum as expectativas irrealistas que conduziram aocasamento serem transpostas para a ideia de divórcio. Sim, é possível ser-se feliz sozinho e sim, quem sabe.. Mas desengane-se quem acredita que pedir o divórcio é garantir um lugar no paraíso porque do lado de cá da fronteira as coisas também não são fáceis.

Divorciada Pobre ou Mal-Casada Rica?

 

Com a nova lei do divórcio o famigerado “golpe do baú” tem os dias contados, o que pode ser interpretado como boa ou má notícia para quem ainda considerava a hipótese de ter em conta a situação financeira dos seus eventuais pretendentes como critério para arranjar marido. Estava capaz de garantir, quase com 99% de certezas, que era esta a ideia em mente dos senhores que propuseram esta alteração específica à lei vigente, à par de uma outra bastante mais evidente que é a preservação do casamento a qualquer custo.
Na prática o facto de “a partilha passar a fazer-se como se os cônjuges tivessem estado casados sem comunhão de adquiridos, mesmo que o regime convencionado tivesse sido a comunhão geral” pode ser traduzido como “a parte economicamente menos favorecida, ainda que tenha contribuído de outras formas para o bem-estar da vida familiar, se quiser sair, terá que fazê-lo com uma mão na frente e a outra atrás”.
As mais obstinadas terão que arranjar formas de contornar a questão, à semelhança do que fazem uns tipos que andam para aí a fugir aos impostos e que não têm medo de ninguém.
O casamento por amor é politicamente correcto, mas não vamos ser hipócritas ao ponto de fecharmos os olhos às restantes motivações que levam as pessoas a contrair matrimónio, entre elas o medo da solidão, o ganhar algum status social como pertencente a uma família dita tradicional e, obviamente, a conquista de maior poder de consumo ou mera sobrevivência.
À luz das novas imposições colocadas ao divórcio, uma pessoa que case para alcançar um maior desafogo económico tem apenas uma hipótese: casar e manter-se casada, pois sendo que a maior parte da fatia social em condições economicamente mais desvantajosas ainda são as mulheres (e aqui dou razão ao nosso PR), não lhes resta grandes alternativas: ou têm a sorte de nascer bem na vida ou têm a sorte de arranjar um marido bem na vida, já que as hipóteses de um emprego bem remunerado são escassas para o sexo feminino.
Quem é que é tradicionalista, quem é?

Amor, paixão ou... o quê?

 

Devem ser muitos poucos os felizardos que conseguem viver eternamente apaixonados.
Eu não sei se conseguiria viver eternamente apaixonada, mesmo que conseguisse desenvolver essa “capacidade” seria demasiado vertiginoso!
A questão é polémica: afinal, o que será realmente o amor romântico ou a paixão? Muitos sabem-no. Eu sei-o, cada um de nós, à sua maneira sabe-o (ou pelo menos já o soube, em determinado momento). A questão não é: “alguém-que-me-explique” nem “deixa-me-que-te-diga”, a questão é perceber e aceitar que muitas coisas só se compreendem com o coração.
Por um lado há os artistas, que são todos uns alucinados e que por isso conseguem descrever tão bem esse estado doentio que é a paixão ou amor romântico, como lhe queiram chamar; entram numa espécie de transe a que se dá o nome de inspiração e descrevem-no em poemas ou versos, ou pinturas ou música. Descrevem-no mas não o explicam. Porque será? Simplesmente porque a emoção não é racional. Não dá. É tão incompatível como atear fogo à água.
Na outra ponta do balancé temos os psicólogos e os cientistas sociais que formulam inúmeras teorias acerca do assunto, mais ou menos fundamentadas em experiências vividas ou observadas mas nunca, até à data, se chegou a um consenso sobre esta matéria.
Posto isto, resta-nos apenas ter a noção que o Importante é cada um de nós chegar à sua verdade e essa Verdade particular é um pouco como a fé: só se compreende sentindo.
Eu tenho a minha verdade, que vale o que vale. Limitada na minha própria subjectividade, compreendo que só amo o que admiro e respeito. Quando me sinto confusa em relação a qualquer tipo de sentimento, mais ou menos lúcido, mais ou menos atormentador, a única forma que tenho de saber se o que sinto é amor é reconhecer no objecto da minha afeição estes dois indicadores: a admiração e o respeito. O resto pode ser muita coisa, até pode ser arte.

 

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